
A consulta terminou, mas o trabalho ainda não. É preciso organizar a anamnese, conferir o histórico, registrar a conduta e, em alguns casos, preparar um laudo.
É nessa parte da rotina que a inteligência artificial pode poupar tempo. Em outras situações, ela ajuda a priorizar exames ou chama a atenção para achados em imagens.
O interesse já aparece nas pesquisas. Na TIC Saúde 2024, 17% dos médicos brasileiros relataram usar IA generativa no trabalho.
Nos Estados Unidos, a pesquisa da Associação Médica Americana de 2026 apontou que 72% dos médicos entrevistados já incorporavam ao menos uma aplicação de IA à prática, ante 48% na edição de 2024.
As pesquisas têm métodos diferentes, mas mostram que a discussão deixou de ser apenas teórica.
Para escolher uma ferramenta, porém, o médico precisa fazer duas perguntas: qual tarefa ela resolve? E o que acontece com os dados do paciente durante esse processo?
A seguir, veja 5 opções com usos distintos e os cuidados que merecem atenção no Brasil.
O que o CFM exige do médico que usa IA?

A Resolução CFM nº 2.454/2026 está em vigor desde 26 de agosto de 2026. Ela permite o uso de IA como apoio à prática médica, à gestão, à pesquisa e à educação continuada. A decisão sobre diagnóstico, tratamento, prognóstico e prescrição continua com o médico.
Na rotina, três exigências são especialmente importantes:
- Avaliar a resposta da ferramenta: uma sugestão de IA precisa ser confrontada com o quadro clínico e as evidências disponíveis;
- Informar o paciente: o uso de IA deve ser comunicado e explicado. Quando ela tiver participação relevante no cuidado, diagnóstico ou tratamento, essa informação precisa ser clara e acessível;
- Registrar seu uso no prontuário: a resolução exige o registro quando a IA servir de apoio à decisão médica.
O CFM também veda delegar à IA a comunicação de diagnósticos, prognósticos ou decisões terapêuticas sem a devida mediação humana.
E o médico deve poder recusar uma ferramenta sem validação científica adequada ou sem a regularização pertinente.
Essas regras não tornam todas as ferramentas equivalentes. Um assistente para organizar o texto de uma consulta tem uma finalidade diferente da de um software que aponta alterações em uma mamografia, por exemplo.

5 ferramentas de IA para médicos e clínicas
As ferramentas abaixo resolvem problemas diferentes. Algumas ajudam a registrar a consulta; outras organizam exames ou destacam achados em imagens.
Por isso, antes de comparar nomes, pense na tarefa que você precisa melhorar e em como a solução se encaixa no atendimento da sua clínica.
1. QuarkClinic: anamnese, histórico e apoio à elaboração de laudos
Quando o problema é registrar a consulta sem perder o fio da conversa, uma ferramenta integrada ao prontuário pode fazer mais sentido do que abrir um aplicativo separado.
No QuarkClinic, o gerador de anamnese com IA capta o áudio do atendimento, transcreve a conversa e organiza as informações no modelo configurado pelo profissional.
A plataforma também oferece um resumo de prontuários anteriores e um assistente para pesquisa e redação dentro da tela de elaboração de laudos.
Pense em um paciente que retorna após várias consultas. Em vez de reler cada registro antes de começar, o médico pode consultar um resumo do histórico e voltar aos documentos originais para confirmar os pontos relevantes.
A IA agiliza a busca; a conferência e a decisão continuam com o profissional.
Como há tratamento de informações clínicas e, no caso da anamnese por voz, captação de áudio, a clínica deve explicar o uso ao paciente e verificar as regras de acesso, armazenamento e retenção.
Também precisa definir como o médico revisará o texto antes de incorporá-lo ao prontuário.
2. ChatGPT: apoio à pesquisa e ao estudo médico
O ChatGPT pode ajudar o médico a resumir artigos científicos, organizar um roteiro de estudo ou comparar recomendações de fontes publicadas. Por exemplo, você pode pedir que ele identifique os resultados e as limitações de uma pesquisa, indicando em que parte do texto encontrou cada informação.
A resposta, porém, é um ponto de partida. Confira as referências e leia o estudo original antes de usar qualquer conclusão na prática clínica. O ChatGPT também não deve receber prontuários, exames, áudios ou informações que permitam identificar pacientes em uma conta pessoal sem que a clínica tenha avaliado as condições de privacidade e o tratamento desses dados.
Para questões sobre um paciente em atendimento, a decisão continua sendo do médico, com base na avaliação clínica e nas evidências disponíveis.
3. Elicit: busca e comparação de estudos científicos
Quando surge uma dúvida clínica, encontrar estudos é só o primeiro passo. Também é preciso entender quem foi estudado, como a pesquisa foi conduzida e se os resultados se aplicam ao paciente em atendimento.
O Elicit usa IA para localizar artigos a partir de uma pergunta e organizar informações dos trabalhos encontrados.
O médico pode, por exemplo, comparar o tamanho das amostras, os métodos e os resultados de pesquisas sobre um mesmo tratamento. A ferramenta também permite consultar estudos indexados no PubMed.
Isso ajuda a iniciar uma revisão de evidências, mas não substitui a leitura dos artigos nem a avaliação de sua qualidade.
Antes de levar uma conclusão para a consulta, confira o texto original, a data de publicação e as limitações do estudo. Use o Elicit para pesquisar literatura científica, sem inserir dados identificáveis de pacientes.
4. HarpiAI: apoio à leitura de mamografias
Na radiologia, algumas soluções analisam imagens e destacam regiões que merecem revisão. A Delfos Mamografia, da HarpiAI, é apresentada pela empresa como uma ferramenta de apoio à identificação de lesões suspeitas em exames mamários.
O radiologista continua responsável por interpretar o exame e elaborar o laudo. harpiai.com
O nome da empresa ou a promessa de “detecção precoce” não bastam para avaliar a compra. O serviço deve solicitar o nome exato do produto, sua finalidade de uso e o número de regularização na Anvisa, além dos dados de desempenho pertinentes à população e aos equipamentos com que trabalha.
A HarpiAI divulga um número de registro em seu site e também oferece soluções para outras modalidades. Por isso, confira qual produto está associado a cada documentação apresentada, sem presumir que a regularização de uma função se estenda às demais.
5. Lunit INSIGHT CXR: auxílio na leitura de raio X de tórax
O Lunit INSIGHT CXR analisa radiografias de tórax e assinala áreas suspeitas para avaliação médica.
A solução é oferecida no Brasil pela Strattner. Há documentação brasileira que identifica o produto pelo número Anvisa 80686360338, mas a situação atual deve ser conferida na base da agência antes da contratação.s:
A Lunit também possui produtos para mamografia, mas não confunda os dois, documentação e evidências apresentadas para raio X de tórax não substituem a verificação da solução mamária.
Para uma clínica de imagem, a pergunta mais útil não é se a IA “enxerga mais que o médico”.
É como ela se comporta no fluxo real do serviço: quais tipos de imagem aceita, que alterações sinaliza, quais são suas limitações e como seus resultados chegam ao profissional responsável pelo laudo.
Toda ferramenta de IA médica precisa de registro na Anvisa?

Não necessariamente. O enquadramento depende da finalidade pretendida e das funções do software. A RDC nº 657/2022 estabelece regras para software como dispositivo médico.
Conforme a classe de risco e o enquadramento, a regularização pode ocorrer por notificação ou registro.
Por isso, antes de aceitar a frase “tem Anvisa”, peça ao fornecedor o nome comercial e a versão do produto, a finalidade de uso, o número de regularização quando aplicável e as instruções de uso.
Mesmo quando uma ferramenta não é enquadrada como dispositivo médico, isso não dispensa o cuidado com dados pessoais. Informações de saúde são dados sensíveis pela LGPD.
A clínica deve saber quais dados o fornecedor recebe, para que os utiliza, quem pode acessá-los, por quanto tempo ficam armazenados e se são usados para desenvolver ou aprimorar modelos.
A base legal do tratamento também precisa ser definida, pois consentimento não é a única hipótese prevista na lei. Confira os dados na consulta de dispositivos médicos regularizados da Anvisa.
Como escolher uma ferramenta de IA para a clínica?

Comece pela tarefa que consome tempo ou apresenta risco no seu serviço.
Depois, teste a solução com a equipe que vai utilizá-la. Uma demonstração impressionante não mostra, sozinha, como a ferramenta reage a um áudio com ruído, a um histórico incompleto ou a um exame fora das condições previstas pelo fabricante.
Antes de contratar, confira:
- Finalidade: o que a ferramenta faz e o que ela expressamente não faz?
- Evidências: há estudos ou testes relevantes para o uso pretendido?
- Regularização: a função exige notificação ou registro na Anvisa? Qual é a situação do produto específico?
- Dados: onde ficam áudio, imagens e prontuários, quem acessa essas informações e por quanto tempo?
- Fluxo médico: como o profissional revisa, corrige e registra o uso da IA?
Para clínicas que querem começar pela rotina do consultório, o QuarkClinic é a escolha mais completa desta lista: reúne anamnese por voz, consulta ao histórico e apoio à redação de laudos no próprio ambiente de atendimento.
O ganho está em reduzir etapas dispersas sem retirar do médico a revisão do registro e a decisão sobre o cuidado. Conheça os recursos de IA do QuarkClinic e avalie como eles se encaixam no fluxo da sua clínica.










