
1 – O que é o CID E10?
O CID E10 é o código da Classificação Internacional de Doenças utilizado para classificar o diabetes mellitus tipo 1, uma doença metabólica crônica caracterizada pela destruição autoimune das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.
Como consequência dessa destruição, ocorre deficiência absoluta de insulina, levando ao aumento persistente da glicose no sangue (hiperglicemia). O diabetes tipo 1 geralmente se manifesta na infância ou adolescência, mas também pode surgir na vida adulta.

2 – Subcategorias do CID E10
O CID E10 possui subdivisões que indicam a presença de complicações associadas:
- E10.0 – Diabetes mellitus tipo 1 com coma
- E10.1 – Diabetes mellitus tipo 1 com cetoacidose
- E10.2 – Diabetes mellitus tipo 1 com complicações renais
- E10.3 – Diabetes mellitus tipo 1 com complicações oftálmicas
- E10.4 – Diabetes mellitus tipo 1 com complicações neurológicas
- E10.5 – Diabetes mellitus tipo 1 com complicações circulatórias periféricas
- E10.6 – Diabetes mellitus tipo 1 com outras complicações especificadas
- E10.7 – Diabetes mellitus tipo 1 com complicações múltiplas
- E10.8 – Diabetes mellitus tipo 1 com complicações não especificadas
- E10.9 – Diabetes mellitus tipo 1 sem complicações
A escolha correta da subcategoria é fundamental para o registro adequado do estado clínico do paciente.
3 – Localização na CID-10
O CID E10 está localizado no Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00–E90), dentro do grupo dos diabetes mellitus (E10–E14).
4 – Descrição clínica e características
O diabetes mellitus tipo 1 é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca e destrói as células produtoras de insulina. A ausência de insulina impede que a glicose seja adequadamente utilizada pelas células, resultando em hiperglicemia.
Os sintomas clássicos incluem poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sede excessiva), polifagia (aumento do apetite), perda de peso inexplicada e fadiga. Em casos não diagnosticados ou mal controlados, pode ocorrer cetoacidose diabética, uma complicação grave caracterizada por hiperglicemia intensa, desidratação e acidose metabólica.
A longo prazo, o controle inadequado pode levar a complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia, neuropatia) e macrovasculares (doença cardiovascular).
5 – Quando utilizar o CID E10?
O CID E10 deve ser utilizado quando houver diagnóstico confirmado de diabetes mellitus tipo 1, independentemente da presença de complicações. É indicado em consultas médicas, relatórios clínicos, laudos, prontuários eletrônicos e documentos administrativos.
A correta utilização do código permite acompanhamento longitudinal adequado e registro das complicações associadas.
6 – Diagnóstico e avaliação
O diagnóstico do diabetes tipo 1 é realizado por meio de exames laboratoriais que demonstram hiperglicemia, como glicemia de jejum elevada, teste oral de tolerância à glicose alterado ou hemoglobina glicada acima dos valores de referência.
Em muitos casos, a presença de autoanticorpos específicos confirma o caráter autoimune da doença. A avaliação também inclui monitoramento regular da glicemia, hemoglobina glicada e rastreamento periódico de complicações.
7 – Tratamento
O tratamento do CID E10 baseia-se obrigatoriamente na reposição de insulina, que pode ser administrada por múltiplas injeções diárias ou por bomba de infusão contínua.
Além da insulinoterapia, o manejo inclui:
- Monitoramento frequente da glicemia
- Educação em saúde e contagem de carboidratos
- Alimentação equilibrada
- Prática regular de atividade física
- Acompanhamento com equipe multidisciplinar
O controle glicêmico rigoroso é essencial para prevenir complicações agudas e crônicas.
8 – CID E10 dá direito a afastamento do trabalho?
O CID E10, por si só, não implica automaticamente afastamento do trabalho. No entanto, pode justificar afastamento temporário em situações como cetoacidose, descompensação metabólica grave ou complicações incapacitantes.
A avaliação deve considerar a estabilidade clínica do paciente e a natureza da atividade profissional exercida.
9 – Importância do CID E10 na prática clínica
A correta utilização do CID E10 é essencial para:
- Padronizar o diagnóstico de diabetes tipo 1
- Registrar complicações associadas
- Orientar condutas terapêuticas
- Fundamentar relatórios médicos e documentação administrativa
- Contribuir para estatísticas epidemiológicas
O código é estratégico no planejamento de políticas públicas voltadas ao controle do diabetes.
10 – Concluindo
O CID E10 – Diabetes mellitus tipo 1 representa uma condição crônica de alta relevância clínica, que exige acompanhamento contínuo e tratamento rigoroso. O diagnóstico precoce, o uso adequado da insulina e o monitoramento regular são fundamentais para prevenir complicações e garantir qualidade de vida ao paciente. A utilização correta do código é indispensável para organização clínica, assistencial e epidemiológica.









