
A Federação Nacional dos Médicos – FENAM divulgou, na última quinta-feira (19), o reajuste do Piso Nacional dos Médicos para 2026. A atualização, calculada com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulado entre janeiro e dezembro de 2025, serve como parâmetro nacional para negociações salariais, definição de honorários e discussões contratuais em todo o país.
O percentual aplicado foi de 3,9%, correspondente à variação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no período. O INPC é tradicionalmente utilizado como indicador de correção salarial por refletir a inflação que impacta diretamente o poder de compra das famílias com renda mais baixa.
Novos valores do Piso FENAM para 2026
Com a aplicação do reajuste, os valores de referência para 2026 passam a ser:
- Piso FENAM para jornada de 20 horas semanais: R$ 21.122,56
- Consulta mínima: R$ 259,39
- Plantão de 12 horas: R$ 3.168,38
- Hora trabalhada: R$ 264,03
Segundo a entidade, esses valores funcionam como balizadores para acordos coletivos, contratos individuais e negociações tanto no setor público quanto na saúde suplementar. Embora não tenham força de lei automática para todos os vínculos, os números divulgados pela federação são amplamente utilizados como referência em discussões remuneratórias da categoria médica.

Histórico do piso médico e base legal
Historicamente, o piso salarial médico era definido pela Lei nº 3.999, de 1961, que vinculava a remuneração da categoria ao salário mínimo. No entanto, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, foi proibida a vinculação automática de vencimentos ao salário mínimo, o que levou à adoção de outros critérios de correção.
Desde então, a atualização do piso passou a considerar índices inflacionários, como o INPC, de modo a preservar o poder de compra da remuneração médica. A adoção desse critério busca garantir maior previsibilidade e coerência com a realidade econômica do país.
Impactos para negociações no setor público e privado
O reajuste divulgado pela FENAM ocorre em um contexto de pressão sobre os sistemas de saúde, tanto públicos quanto privados. Hospitais, clínicas e operadoras enfrentam desafios relacionados a custos operacionais, judicialização e demanda crescente por serviços médicos.
Para os profissionais, o piso atualizado representa instrumento importante de valorização e referência para negociações contratuais. Em especial, categorias organizadas por sindicatos estaduais costumam utilizar os valores como base para acordos coletivos e reivindicações salariais.
No setor público, o piso pode influenciar discussões em concursos e planos de carreira, ainda que a definição final dos vencimentos dependa de legislação específica e disponibilidade orçamentária. Já na saúde suplementar, os valores servem como parâmetro para negociação de honorários e plantões.
Valorização profissional e condições de trabalho
A Federação Nacional dos Médicos destaca que a adoção do piso como referência nacional é instrumento essencial para assegurar condições dignas de trabalho e remuneração compatível com a responsabilidade técnica da atividade médica.
A entidade argumenta que a valorização profissional impacta diretamente a qualidade da assistência prestada à população. Remuneração adequada, jornadas organizadas e previsibilidade contratual contribuem para maior estabilidade no atendimento e para a retenção de profissionais no sistema de saúde.
Além disso, a definição de parâmetros nacionais tende a reduzir disparidades regionais excessivas, promovendo maior equilíbrio nas negociações e fortalecendo a categoria em âmbito coletivo.
Cenário econômico e desafios futuros
Embora o reajuste de 3,9% acompanhe a inflação medida pelo INPC, especialistas apontam que o debate sobre remuneração médica envolve fatores mais amplos, como carga tributária, custos de atualização profissional e investimentos em infraestrutura.
Em um ambiente marcado por transformações tecnológicas, ampliação da telemedicina e novas exigências regulatórias, a discussão sobre piso salarial também dialoga com a sustentabilidade financeira do sistema e com a organização do trabalho médico.
Com a divulgação dos valores para 2026, a expectativa é que sindicatos, entidades representativas e empregadores iniciem rodadas de negociação baseadas nos parâmetros apresentados. O piso da FENAM permanece como referência central nas discussões salariais da categoria, consolidando seu papel histórico na defesa de condições justas de remuneração para os médicos brasileiros.









