
A Guia SADT é um documento do padrão TISS usado para solicitar autorizações e cobrar exames, terapias e outros serviços de saúde junto às operadoras de planos.
Seu nome completo é Guia de Serviços Profissionais/Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia, abreviado como SP/SADT.
Na rotina da clínica, ela conecta o que foi solicitado pelo profissional, autorizado pelo plano e efetivamente realizado. Por isso, seu preenchimento precisa acompanhar o atendimento até o faturamento.
A escala dessa operação é grande. Segundo o relatório de gestão da ANS, os planos de saúde registraram aproximadamente 1,2 bilhão de exames ambulatoriais em 2024. O dado mostra o volume de serviços que depende de informações organizadas para ser processado pelas operadoras.
Mas emitir a guia não encerra o trabalho. É preciso conferir os dados, acompanhar a cobrança e verificar o pagamento. A seguir, entenda como organizar esse processo.
Para que serve a Guia SADT?
A Guia SADT ajuda a identificar o paciente, os profissionais envolvidos e os serviços solicitados ou realizados. Com essas informações, a operadora pode analisar a autorização e a cobrança.
Seu uso abrange exames e terapias ambulatoriais, além de outras situações previstas no padrão TISS. Também pode envolver serviços realizados em pacientes internados por prestadores terceirizados, conforme as regras da ANS.
Pense em um paciente que recebe uma solicitação de ultrassonografia. A clínica precisa conferir o pedido, verificar as condições do convênio, registrar a autorização quando necessária e documentar a realização do exame. Depois, essas informações dão suporte ao faturamento.
Nesse fluxo, pedido médico, autorização e cobrança cumprem funções diferentes. O pedido indica a necessidade do procedimento; a autorização registra sua liberação pelo plano; e a cobrança informa o serviço prestado e o valor apresentado.
Uma guia preenchida corretamente facilita a análise, mas não representa, por si só, garantia de pagamento.

Qual a diferença entre Guia SADT, TISS e TUSS?
As siglas aparecem juntas, mas cada uma tem um papel:
| Termo | O que significa na prática |
| TISS | É o padrão que organiza a troca de informações entre os participantes da saúde suplementar. |
| Guia SP/SADT | É um dos documentos utilizados nesse padrão para registrar solicitações e cobranças de serviços. |
| TUSS | Reúne termos e códigos que identificam procedimentos e outros itens assistenciais. |
Assim, a guia faz parte do TISS e utiliza códigos conforme as terminologias aplicáveis.
A ANS define o TISS como obrigatório para as trocas eletrônicas de dados de atenção à saúde na saúde suplementar.
Também publica atualizações de seus componentes, que incluem regras operacionais, estrutura das informações, terminologias, segurança e comunicação.
Por isso, a clínica deve conferir a versão aplicável ao envio. Reaproveitar uma configuração antiga sem verificar sua vigência pode gerar incompatibilidades.
Quando usar a Guia SADT ou a Guia de Consulta?
A Guia de Consulta é utilizada para cobrar consultas eletivas, ou seja, atendimentos programados. Já a SP/SADT tem usos mais amplos, incluindo solicitações de autorização e cobranças de consultas com ou sem procedimentos e despesas, além de exames e serviços profissionais.
Isso significa que a escolha não depende apenas da especialidade médica. É necessário considerar o atendimento realizado e as regras de utilização das guias previstas pela ANS.
Uma consulta programada sem procedimentos adicionais, por exemplo, costuma seguir o fluxo da Guia de Consulta. Já a realização de um exame ambulatorial utiliza a SP/SADT.
Em caso de dúvida, consulte o padrão TISS e as orientações operacionais do convênio. Evite escolher o documento apenas porque ele foi usado no atendimento anterior.
Quem deve preencher a Guia SADT?

O preenchimento envolve informações de diferentes responsáveis. O profissional solicitante fornece os dados clínicos e indica o procedimento. A recepção confere o cadastro do paciente e as condições de atendimento. Já o faturamento revisa os registros utilizados na cobrança.
Para o processo funcionar, cada pessoa precisa saber o que conferir e quando encaminhar uma pendência.
Por exemplo, se a quantidade de sessões está diferente da solicitação, a equipe administrativa deve buscar esclarecimento antes de continuar. Ela não deve alterar por conta própria uma indicação clínica.
Essa divisão de responsabilidades evita que o faturamento descubra, semanas depois, um problema que poderia ter sido resolvido antes do atendimento.
Como preencher a Guia SADT?
O preenchimento deve seguir o modelo vigente e as condições de cada campo. Nem todos os campos são obrigatórios em todas as situações: há informações cujo preenchimento depende do atendimento e da finalidade da guia.
A ANS orienta que essas condições sejam consultadas no Componente de Conteúdo e Estrutura do padrão TISS. O roteiro abaixo serve como conferência prática, sem substituir as instruções oficiais.
1. Confira os dados do paciente e da operadora
Verifique nome, identificação no plano e demais dados exigidos. Confirme também se o cadastro corresponde ao beneficiário atendido.
Não se limite a copiar informações de uma guia antiga. O paciente pode ter mudado de plano, recebido outra carteirinha ou apresentado alterações cadastrais.
2. Identifique quem solicita e quem executa
Confira os dados do profissional solicitante e do prestador responsável pela realização do serviço, incluindo os identificadores exigidos.
Essa distinção importa porque o médico que pede um exame nem sempre é o profissional ou estabelecimento que o executa.
3. Registre o procedimento e a quantidade
Revise a descrição, o código da tabela aplicável e a quantidade solicitada. Quando necessária, a indicação clínica deve corresponder ao pedido do profissional.
Um código parecido não é suficiente. A informação precisa identificar o serviço correto. Para auxiliar essa consulta, a ANS disponibiliza um Sistema de Gestão de Terminologias, com códigos utilizados na saúde suplementar.
4. Confira a autorização, quando exigida
Verifique os dados da liberação e quais procedimentos ou quantidades foram autorizados.
Em um exemplo hipotético, o pedido pode indicar dez sessões, enquanto a autorização inicial libera cinco. Essa diferença precisa ser esclarecida e acompanhada durante o tratamento.
5. Registre o que foi realizado
Após o atendimento, confira datas, procedimentos executados, quantidades e valores utilizados na cobrança.
O faturamento deve refletir o serviço efetivamente prestado. Uma sessão agendada e não realizada não pode ser registrada como atendimento concluído.
6. Revise antes de enviar
Faça uma última conferência das informações, dos documentos necessários e das eventuais vinculações com outras guias.
Também verifique se a cobrança está duplicada. Depois do envio, mantenha os comprovantes e protocolos organizados para acompanhar o processamento.
Qual é a validade da Guia SADT?
Não é adequado aplicar um prazo único a todas as guias. A clínica precisa distinguir validade do pedido, prazo da autorização e prazo para apresentar a cobrança.
Antes de agendar um procedimento que exige liberação, confira as condições informadas pela operadora. Se houver dúvida ou vencimento, solicite orientação sobre a necessidade de renovação.
Já os prazos de faturamento e pagamento precisam estar definidos no contrato entre prestador e operadora, conforme as orientações da ANS. Portanto, não use o prazo de um convênio como referência automática para os demais.
Quais erros podem causar glosas?

Glosa é a recusa total ou parcial do pagamento de uma cobrança apresentada ao plano. Ela pode envolver divergências cadastrais, códigos incorretos, duplicidade, valores em desacordo com o contrato ou falta de informações exigidas.
Por exemplo, o exame foi realizado corretamente, mas o faturamento informou outro procedimento. A operadora pode contestar a cobrança, e a clínica precisará identificar a diferença e apresentar a correção ou justificativa adequada.
Quando isso acontecer, acompanhe o motivo informado e reúna os documentos que sustentam a cobrança. A ANS determina que o contrato estabeleça as hipóteses de glosa e os prazos de contestação, resposta e pagamento após sua revogação.
Além de resolver cada pendência, observe o que se repete. Se as recusas se concentram em um campo ou convênio, ajuste a conferência e oriente a equipe.
Como o QuarkClinic ajuda na gestão das guias e dos convênios?
Controlar o faturamento exige acompanhar informações que passam pela recepção, pelo atendimento e pelo financeiro. Quando esses registros ficam dispersos, localizar uma pendência se torna mais difícil.
O QuarkClinic reúne recursos para cadastro de convênios, pré-faturamento, geração de faturas e lotes, faturamento por XML, faturamento TISS e controle de glosas médicas. Essas funções ajudam a organizar a cobrança e o acompanhamento dos convênios na rotina da clínica.
Com o processo estruturado, sua equipe consegue dedicar mais atenção à conferência e à resolução das pendências. A tecnologia apoia esse trabalho, enquanto profissionais e gestores mantêm as informações atualizadas.
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