
O Brasil deu início a um passo inédito na produção de informações estratégicas para o fortalecimento das políticas públicas de saúde mental. O Ministério da Saúde iniciou a fase piloto da Pesquisa Nacional de Saúde Mental, estudo de base populacional criado para compreender, de forma abrangente, a realidade da saúde mental de brasileiros com 18 anos ou mais em todas as regiões do país.
Trata-se do primeiro levantamento nacional elaborado especificamente com foco na saúde mental da população adulta. A pesquisa pretende preencher uma lacuna histórica de dados qualificados e atualizados, fundamentais para orientar decisões de gestão, financiamento e organização da rede de cuidados, especialmente em um contexto de aumento dos transtornos mentais e da demanda por atendimento psicológico e psiquiátrico.
Estudo vai estimar prevalência de transtornos mentais e fatores associados
A Pesquisa Nacional de Saúde Mental tem como principal objetivo estimar a prevalência de transtornos como depressão, ansiedade, uso de álcool e outras drogas, além de comportamentos relacionados ao suicídio. Os dados coletados permitirão compreender como essas condições se distribuem conforme variáveis como sexo, idade, escolaridade, renda e região do país.
Além da mensuração dos transtornos, o estudo busca identificar fatores de risco e de proteção associados às condições de vida da população. Entre os aspectos analisados estão experiências de violência, situações de discriminação, adversidades vividas na infância e outros determinantes sociais que impactam diretamente a saúde mental ao longo da vida.
Com esse mapeamento, o Ministério da Saúde pretende ampliar a capacidade do poder público de formular políticas baseadas em evidências, direcionando ações de prevenção, promoção e cuidado de forma mais precisa e equitativa.

Avaliação do acesso aos serviços de saúde mental no SUS
Outro eixo central da pesquisa é a análise do acesso e do uso dos serviços de saúde mental. O levantamento vai indicar quantas pessoas procuram atendimento, quais tipos de cuidado recebem e quais barreiras enfrentam para iniciar ou manter o tratamento, como dificuldades de acesso geográfico, falta de informação ou estigmas relacionados ao sofrimento psíquico.
Essas informações serão estratégicas para o planejamento e o aprimoramento da Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde, permitindo identificar gargalos e oportunidades de melhoria na oferta de serviços. A expectativa é que os resultados contribuam diretamente para o fortalecimento das ações de cuidado contínuo e integrado em saúde mental em todo o território nacional.
Entrevistas domiciliares e metodologia padronizada
A pesquisa será realizada por meio de entrevistas presenciais em domicílios, com amostra probabilística representativa da população adulta brasileira. Em cada residência selecionada, apenas uma pessoa será sorteada para participar do estudo, garantindo a aleatoriedade e a qualidade estatística dos dados.
As entrevistas terão duração média de 60 minutos e serão conduzidas por entrevistadores capacitados, com o apoio de questionários eletrônicos aplicados em tablets ou notebooks. A ferramenta utilizada segue um padrão internacional, o que permite comparações futuras e assegura maior confiabilidade aos resultados.
A fase piloto, iniciada na segunda semana de janeiro de 2026, é considerada fundamental para testar e padronizar os procedimentos de coleta, avaliar a abordagem domiciliar e assegurar o acolhimento adequado dos participantes, especialmente diante de temas sensíveis como sofrimento psíquico, uso de substâncias e ideação suicida.
Fase piloto ocorre em oito municípios de diferentes regiões
O trabalho de campo da fase piloto será realizado em municípios de seis unidades da federação, abrangendo diferentes realidades regionais. Estão incluídas cidades como Manaus, Sobral, Jundiaí, São Paulo, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Campo Grande e Brasília, contemplando os estados do Amazonas, Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
A participação na pesquisa é voluntária e ocorre somente após o consentimento livre e esclarecido dos entrevistados. Todas as informações coletadas são sigilosas, registradas em sistemas seguros e analisadas de forma agregada, sem qualquer identificação individual, em conformidade com as normas éticas vigentes e com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
Iniciativa envolve diferentes áreas do Ministério da Saúde
A Pesquisa Nacional de Saúde Mental é uma iniciativa inédita do Ministério da Saúde e conta com a participação de diferentes áreas da pasta. Estão envolvidos a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, por meio do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças não Transmissíveis, e a Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, por meio do Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas.
A execução técnico-científica do estudo é de responsabilidade da Universidade Federal do Espírito Santo, que atua no desenvolvimento metodológico, na coordenação da coleta e na análise dos dados.
Para o Ministério da Saúde, a pesquisa representa uma oportunidade de dar visibilidade à realidade da saúde mental no Brasil, reduzir estigmas e fortalecer o SUS com informações qualificadas. A expectativa é que os resultados finais sirvam como base para ampliar e qualificar o cuidado, contribuindo para políticas públicas mais eficazes e alinhadas às necessidades reais da população adulta brasileira.









