
Os procedimentos estéticos deixaram de ser um diferencial pontual para se tornarem um dos pilares estratégicos de crescimento em clínicas e consultórios médicos. Impulsionados pelo avanço tecnológico, pela mudança no comportamento do paciente e pela valorização da saúde associada à estética, esses serviços passaram a ocupar uma posição central no planejamento de muitas instituições de saúde.
Para médicos e gestores, compreender profundamente esse cenário vai além do domínio técnico dos procedimentos. Envolve visão de negócio, gestão eficiente, conformidade regulatória, experiência do paciente e uso inteligente de dados. Este artigo aprofunda esses aspectos com foco educativo, oferecendo uma visão clara e estratégica sobre como os procedimentos estéticos podem ser estruturados e geridos de forma sustentável e segura.
AGENDE AGORA UMA DEMONSTRAÇÃO GRATUITA DO QUARKCLINIC
1 – O crescimento dos procedimentos estéticos
O Brasil ocupa hoje uma posição de destaque absoluto no mercado global de procedimentos estéticos, figurando como o segundo país que mais realiza intervenções estéticas no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com dados divulgados pela CNN Brasil, em 2023 foram realizados aproximadamente 3,4 milhões de procedimentos estéticos no país, número que evidencia não apenas alta demanda, mas também a consolidação desse segmento dentro da área da saúde.
Desse total, cerca de 2,2 milhões correspondem a procedimentos cirúrgicos, enquanto 1,2 milhão são procedimentos não cirúrgicos, demonstrando o crescimento contínuo das técnicas minimamente invasivas. O impacto econômico desse cenário é expressivo: o setor de estética médica movimenta aproximadamente R$ 48 bilhões por ano no Brasil, envolvendo mais de 500 mil profissionais, entre médicos, enfermeiros, biomédicos, fisioterapeutas dermatofuncionais e equipes de apoio.

Entre os procedimentos cirúrgicos mais realizados, a lipoaspiração lidera, representando entre 12,3% e 14,1% do total, seguida pelo aumento das mamas (9,9%), blefaroplastia (9,8%), abdominoplastia (8,2%) e cirurgias de aumento de glúteos (7,1%). Esses números reforçam a necessidade de infraestrutura adequada, protocolos bem definidos e equipes altamente qualificadas para lidar com procedimentos de maior complexidade.
No campo dos procedimentos não cirúrgicos, a predominância é ainda mais evidente. A toxina botulínica responde por 45,7% das intervenções, seguida pelos preenchimentos com ácido hialurônico (22,9%), tratamentos de rejuvenescimento e lifting de pele (7,9%), laser ablativo (7,1%) e procedimentos de depilação (3,8%). Essa distribuição explica o crescimento acelerado de clínicas voltadas à estética ambulatorial e a necessidade de gestão eficiente de agendas, insumos e prontuários.
O perfil do público também revela tendências importantes para médicos e gestores. As mulheres ainda representam cerca de três vezes mais pacientes do que os homens, porém a procura masculina vem crescendo de forma consistente, impulsionada pela maior aceitação social e pela busca por procedimentos com recuperação rápida. Outro dado relevante é o crescimento de 140% na procura por procedimentos estéticos entre jovens nos últimos 10 anos, o que exige atenção redobrada à ética, comunicação clara e alinhamento de expectativas.
Do ponto de vista da experiência do paciente, os indicadores são positivos: aproximadamente 71% dos brasileiros que realizaram procedimentos estéticos relatam satisfação com os resultados, fator que contribui diretamente para a recorrência, fidelização e fortalecimento da reputação das clínicas.
Esse conjunto de dados evidencia que os procedimentos estéticos no Brasil deixaram de ser uma tendência passageira e se consolidaram como um segmento estruturado, altamente competitivo e estratégico. Para clínicas e consultórios, compreender esse cenário é fundamental para tomar decisões baseadas em dados, alinhar investimentos e estruturar serviços com foco em qualidade, segurança e sustentabilidade.

2 – Procedimentos estéticos e a responsabilidade médica
Embora a estética esteja associada a resultados visuais, sua execução envolve riscos clínicos, exigindo conhecimento técnico, protocolos bem definidos e acompanhamento rigoroso. Por esse motivo, os procedimentos estéticos devem ser tratados com o mesmo nível de seriedade que qualquer outro atendimento médico.
Isso inclui:
- Avaliação clínica detalhada do paciente
- Registro completo em prontuário
- Consentimento informado
- Definição clara de indicações e contraindicações
- Monitoramento de intercorrências
Para gestores, garantir que esses processos estejam padronizados é essencial para reduzir riscos jurídicos e preservar a reputação da clínica.
3 – Tipos de procedimentos estéticos e seus impactos na gestão clínica
Os procedimentos estéticos podem ser classificados em diferentes categorias, cada uma com demandas específicas de infraestrutura, equipe e controle operacional.
Procedimentos minimamente invasivos
São os mais comuns em clínicas modernas e incluem aplicações injetáveis, bioestimuladores, peelings químicos e tecnologias baseadas em energia. Exigem alta rotatividade, controle rigoroso de estoque e gestão precisa de agendas.
Procedimentos não invasivos
Tratamentos realizados com equipamentos, como radiofrequência, ultrassom e lasers, demandam investimento tecnológico, manutenção preventiva e controle de utilização dos aparelhos.
Procedimentos cirúrgicos estéticos
Embora menos frequentes em clínicas ambulatoriais, exigem protocolos mais complexos, estrutura adequada e integração com ambientes hospitalares.
Cada categoria impacta diretamente a forma como a clínica organiza seus fluxos, treina sua equipe e precifica seus serviços.

4 – Procedimentos estéticos mais procurados no Brasil
O alto volume de procedimentos estéticos realizados no Brasil reflete não apenas a busca por resultados estéticos, mas também mudanças no comportamento do paciente e na forma como as clínicas estruturam seus serviços. Conhecer os procedimentos mais procurados é essencial para médicos e gestores que desejam alinhar portfólio, infraestrutura, equipe e planejamento financeiro à realidade do mercado.
A seguir, destacam-se os procedimentos estéticos cirúrgicos e não cirúrgicos mais realizados no país e seus principais impactos na rotina clínica.
4.1 – Procedimentos cirúrgicos
1 – Liposucção
Com 307.280 procedimentos realizados, a liposucção lidera o ranking, representando 14,1% do total de cirurgias estéticas. Trata-se de um procedimento consolidado, com alta procura por pacientes que buscam remodelação corporal e melhora do contorno físico.
Do ponto de vista da gestão, a liposucção exige:
- Avaliação clínica rigorosa e estratificação de risco
- Estrutura adequada para procedimentos de maior porte
- Planejamento de pós-operatório e acompanhamento contínuo
- Integração eficiente entre equipe médica, anestésica e administrativa
Por ser um procedimento de alta visibilidade, qualquer falha impacta diretamente a reputação da clínica.
2 – Aumento de seios (mamoplastia de aumento)
O aumento de seios ocupa a segunda posição, com 227.451 cirurgias realizadas, o equivalente a 10,4% do total. É um procedimento com alto grau de expectativa emocional por parte das pacientes, o que reforça a importância do alinhamento pré-operatório.
Para clínicas e consultórios, esse procedimento demanda:
- Gestão criteriosa de próteses (modelos, volumes, lotes e validade)
- Registro detalhado em prontuário
- Comunicação clara sobre resultados, riscos e manutenção a longo prazo
- Acompanhamento pós-cirúrgico estruturado
A previsibilidade de demanda torna esse procedimento estratégico para planejamento financeiro.
3 – Cirurgia de pálpebras (blefaroplastia)
Com 216.318 procedimentos, representando 9,9% do total, a blefaroplastia destaca-se por unir estética e funcionalidade, já que muitos pacientes buscam melhora do campo visual além do aspecto estético.
Por ser frequentemente realizada em regime ambulatorial, exige:
- Protocolos bem definidos de avaliação oftalmológica
- Controle rigoroso de intercorrências
- Alta precisão técnica
- Registro fotográfico e clínico detalhado
A blefaroplastia apresenta excelente custo-benefício para clínicas, desde que haja padronização de processos.
4 – Aumento de nádegas (gluteoplastia)
O aumento de nádegas, com 199.254 procedimentos realizados (9,1% do total), reflete uma tendência fortemente influenciada por padrões estéticos contemporâneos e pela valorização do contorno corporal.
É um procedimento que exige atenção redobrada devido:
- À complexidade técnica
- Aos riscos associados
- À necessidade de protocolos de segurança rigorosos
Para gestores, isso implica investimentos em capacitação profissional, estrutura adequada e gestão de riscos, além de comunicação transparente com o paciente.
5 – Abdominoplastia
A abdominoplastia contabiliza 161.441 cirurgias, correspondendo a 7,4% do total. É muito procurada por pacientes após grandes perdas de peso ou gestação, sendo um procedimento com impacto significativo na qualidade de vida.
Do ponto de vista operacional, demanda:
- Planejamento cirúrgico detalhado
- Integração com outras especialidades quando necessário
- Pós-operatório prolongado e acompanhamento próximo
- Gestão eficiente de agenda e leitos, quando aplicável
É um procedimento que reforça a importância da visão integrada entre assistência médica e gestão clínica.
4.2 – Procedimentos não-cirúrgicos
Os procedimentos estéticos não cirúrgicos vêm assumindo um papel cada vez mais estratégico nas clínicas e consultórios brasileiros. Em 2023, eles representaram uma parcela significativa do volume total de atendimentos estéticos, impulsionados pela busca por resultados naturais, menor tempo de recuperação e possibilidade de retorno rápido às atividades cotidianas.
1 – Toxina botulínica
A toxina botulínica lidera com ampla vantagem, concentrando 45,7% dos procedimentos não cirúrgicos realizados em 2023. Sua popularidade está associada à eficácia no tratamento de rugas dinâmicas, prevenção do envelhecimento facial e aplicação em diferentes regiões do rosto e corpo.
Do ponto de vista da gestão, trata-se de um procedimento que exige:
- Controle rigoroso de estoque, validade e lote
- Padronização de protocolos de aplicação
- Registro detalhado em prontuário
- Alta rotatividade de pacientes e gestão eficiente de agenda
Além disso, a toxina botulínica favorece estratégias de fidelização, já que requer reaplicações periódicas.
2 – Preenchimento com ácido hialurônico
Os preenchimentos com ácido hialurônico respondem por 22,9% dos procedimentos não cirúrgicos, ocupando a segunda posição no ranking. São amplamente utilizados para volumização, contorno facial, correção de sulcos e harmonização estética.
Para clínicas, esse procedimento demanda:
- Rastreabilidade completa dos produtos utilizados
- Avaliação criteriosa de indicações e contraindicações
- Gestão de custos elevada, devido ao valor dos insumos
- Comunicação clara sobre resultados e possíveis intercorrências
A correta documentação e o acompanhamento pós-procedimento são fundamentais para segurança clínica e respaldo jurídico.

3 – Rejuvenescimento e lifting de pele
Os tratamentos voltados ao rejuvenescimento e lifting de pele representam 7,9% dos procedimentos não cirúrgicos. Envolvem técnicas e tecnologias diversas, com foco na melhora da textura, firmeza e qualidade da pele.
Esses procedimentos exigem:
- Avaliação individualizada do paciente
- Protocolos personalizados e acompanhamento progressivo
- Gestão integrada entre profissionais e equipamentos
- Monitoramento de resultados ao longo do tempo
São tratamentos que reforçam a importância de um relacionamento contínuo com o paciente.
4 – Laser ablativo
O laser ablativo corresponde a 7,1% dos procedimentos não cirúrgicos e se destaca por sua eficácia em tratamentos de rejuvenescimento, manchas, cicatrizes e textura da pele.
Para gestores, o laser ablativo traz desafios específicos:
- Alto investimento inicial em tecnologia
- Necessidade de manutenção preventiva dos equipamentos
- Capacitação constante da equipe
- Controle rigoroso de protocolos e segurança
Quando bem gerido, é um procedimento que agrega valor ao portfólio da clínica e fortalece seu posicionamento tecnológico.
5 – Depilação
A depilação, com 3,8% dos procedimentos não cirúrgicos, mantém-se como um serviço de alta demanda, especialmente por sua recorrência e ampla aceitação entre diferentes perfis de pacientes.
Embora seja um procedimento de menor complexidade clínica, exige:
- Gestão eficiente de agenda e fluxo de atendimentos
- Padronização de protocolos
- Controle de equipamentos e insumos
- Foco na experiência do paciente
É frequentemente utilizada como porta de entrada para outros procedimentos estéticos.

5 – Planejamento estratégico para oferta de procedimentos estéticos
Antes de ampliar ou iniciar a oferta de procedimentos estéticos, é fundamental que gestores realizem um planejamento estruturado. Isso evita decisões baseadas apenas em tendências de mercado e reduz riscos financeiros.
Alguns pontos essenciais incluem:
- Análise do perfil do público atendido
- Estudo da concorrência local
- Avaliação da capacidade operacional da clínica
- Projeção de custos e retorno sobre investimento
- Adequação às normas sanitárias e conselhos profissionais
O planejamento estratégico permite que os procedimentos estéticos sejam incorporados de forma coerente com a proposta da clínica, fortalecendo sua identidade e posicionamento.
6 – Gestão de processos aplicada aos procedimentos estéticos
Uma clínica que trabalha com procedimentos estéticos precisa de processos bem definidos para garantir segurança, eficiência e escalabilidade. Isso inclui desde o primeiro contato do paciente até o pós-procedimento.
Entre os principais processos estão:
- Agendamento e confirmação de consultas
- Triagem e avaliação inicial
- Registro clínico e documentação
- Execução do procedimento
- Acompanhamento pós-atendimento
A ausência de processos claros gera falhas operacionais, retrabalho e insatisfação do paciente. Já a padronização melhora a previsibilidade dos resultados e facilita a gestão do negócio.
7 – A importância do prontuário e da rastreabilidade nos procedimentos estéticos
Nos procedimentos estéticos, o prontuário médico assume um papel ainda mais estratégico. Ele não serve apenas como registro clínico, mas como ferramenta de gestão, segurança jurídica e acompanhamento de resultados.
É fundamental registrar:
- Produto utilizado (marca, lote e validade)
- Técnica aplicada
- Quantidade e pontos de aplicação
- Orientações fornecidas ao paciente
- Evolução e possíveis intercorrências
Para gestores, a rastreabilidade dessas informações permite identificar padrões, melhorar protocolos e responder de forma adequada a eventuais questionamentos legais ou sanitários.
8 – Experiência do paciente em procedimentos estéticos
A experiência do paciente é um fator decisivo no sucesso dos procedimentos estéticos. Diferentemente de atendimentos exclusivamente terapêuticos, a estética envolve expectativas elevadas e percepção subjetiva de resultados.
Uma boa experiência passa por:
- Comunicação clara e transparente
- Alinhamento de expectativas
- Ambiente confortável e profissional
- Atendimento humanizado
- Pós-atendimento estruturado
Clínicas que investem na experiência do paciente aumentam a fidelização, fortalecem o marketing boca a boca e constroem uma reputação sólida no mercado.

9 – Gestão financeira aplicada aos procedimentos estéticos
Os procedimentos estéticos possuem características financeiras próprias, como margens variáveis, custos elevados de insumos e necessidade de precificação estratégica. Uma gestão financeira eficiente é indispensável para garantir sustentabilidade.
Alguns pontos de atenção incluem:
- Controle de custos diretos e indiretos
- Gestão de estoque de insumos e materiais
- Precificação baseada em valor, não apenas em concorrência
- Análise de rentabilidade por procedimento
- Controle de inadimplência
Sem dados financeiros confiáveis, a clínica corre o risco de oferecer procedimentos estéticos com alta demanda, mas baixa rentabilidade.
10 – Indicadores de desempenho nos serviços estéticos
Para gestores e administradores, acompanhar indicadores é essencial para avaliar a performance dos procedimentos estéticos. Métricas bem definidas orientam decisões estratégicas e operacionais.
Indicadores relevantes incluem:
- Taxa de ocupação da agenda
- Ticket médio por paciente
- Retorno por profissional
- Custo por procedimento
- Índice de retrabalho ou intercorrências
Esses dados permitem ajustes rápidos, identificação de gargalos e melhoria contínua dos serviços oferecidos.
11 – Tecnologia como aliada na gestão de procedimentos estéticos
A complexidade dos procedimentos estéticos torna a tecnologia uma aliada indispensável. Sistemas de gestão especializados, como o QuarkClinic, permitem integrar informações clínicas, financeiras e operacionais em um único ambiente.
Com o apoio da tecnologia, é possível:
- Centralizar prontuários e históricos
- Automatizar agendamentos e confirmações
- Controlar estoque e validade de insumos
- Gerar relatórios estratégicos
- Acompanhar indicadores em tempo real
Essa integração reduz erros, aumenta a produtividade e melhora a tomada de decisão.
AGENDE AGORA UMA DEMONSTRAÇÃO DO QUARKCLINIC
12 – Concluindo
Os procedimentos estéticos representam uma oportunidade estratégica relevante para clínicas e consultórios que desejam crescer de forma estruturada. Mais do que dominar técnicas, é essencial investir em gestão, processos, tecnologia e experiência do paciente.
Para médicos, gestores e administradores, compreender o funcionamento completo desses serviços é o primeiro passo para transformar a estética em um diferencial competitivo sólido, ético e sustentável. A educação contínua, aliada a uma gestão inteligente, é o caminho para posicionar a clínica de forma destacada em um mercado cada vez mais exigente e profissionalizado.









