
Pacientes que serão submetidos a terapias imunobiológicas devem passar por uma avaliação prévia obrigatória para identificação de condições que possam aumentar os riscos do tratamento. O alerta foi reforçado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que publicou orientações direcionadas aos médicos sobre a importância do rastreio antes do início dessas terapias.
A medida tem como foco principal a identificação de tuberculose latente, condição que pode permanecer assintomática por anos, mas que pode ser reativada em pacientes submetidos a medicamentos que interferem na resposta do sistema imunológico. Segundo o CFM, a adoção de protocolos de rastreio é fundamental para aumentar a segurança dos tratamentos e reduzir o risco de complicações graves.
Avaliação prévia é etapa essencial do tratamento
As terapias imunobiológicas revolucionaram o tratamento de diversas doenças nas últimas décadas. Utilizados em condições como artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn, retocolite ulcerativa e outras enfermidades autoimunes e inflamatórias, esses medicamentos atuam em alvos específicos do sistema imunológico para controlar processos inflamatórios que comprometem a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.
Apesar dos benefícios clínicos, a modulação da resposta imunológica exige cuidados adicionais antes do início do tratamento. Como esses medicamentos podem reduzir mecanismos naturais de defesa do organismo, existe a possibilidade de reativação de infecções previamente controladas, especialmente a tuberculose latente.
Por esse motivo, o CFM reforça que o rastreio deve ser realizado antes da prescrição dos imunobiológicos. A recomendação segue diretrizes amplamente adotadas por sociedades médicas e órgãos de saúde nacionais e internacionais, que consideram a avaliação prévia uma medida indispensável para a segurança do paciente.
A tuberculose latente ocorre quando a pessoa foi infectada pela bactéria causadora da doença, mas não apresenta sintomas nem transmite a infecção. Embora o organismo consiga manter o microrganismo sob controle, alterações no funcionamento do sistema imunológico podem favorecer a reativação da doença, transformando um quadro silencioso em uma infecção ativa e potencialmente grave.
Para identificar esses casos, os médicos podem solicitar exames específicos, além de realizar uma avaliação clínica detalhada e analisar o histórico do paciente. A investigação permite definir se há necessidade de tratamento preventivo antes do início da terapia imunobiológica.
Segundo o conselho, a adoção dessas medidas não deve ser encarada apenas como uma formalidade burocrática, mas como parte integrante do planejamento terapêutico. O objetivo é garantir que os benefícios do tratamento sejam alcançados com o menor risco possível para o paciente.

Segurança e monitoramento durante a terapia
Além da avaliação inicial, o CFM destaca que a segurança do tratamento depende de acompanhamento contínuo ao longo de toda a terapia. A observação clínica regular permite identificar precocemente sinais de infecções, eventos adversos e outras alterações que possam surgir durante o uso dos imunobiológicos.
Outro aspecto importante envolve a atualização do calendário vacinal. Em muitos casos, a situação vacinal do paciente deve ser avaliada antes do início do tratamento, uma vez que algumas vacinas podem ser recomendadas previamente para reduzir o risco de infecções durante a terapia. A decisão, entretanto, deve sempre considerar as características clínicas de cada paciente e a avaliação do médico responsável.
O monitoramento também é fundamental porque diferentes imunobiológicos apresentam perfis de risco distintos. Dessa forma, o acompanhamento individualizado permite adequar a conduta médica às necessidades específicas de cada caso, contribuindo para maior eficácia terapêutica e redução de complicações.
Especialistas destacam que a expansão do uso dessas terapias têm proporcionado avanços significativos no controle de doenças crônicas que anteriormente apresentavam opções limitadas de tratamento. No entanto, o sucesso desses medicamentos está diretamente relacionado à adoção de protocolos de segurança capazes de identificar fatores de risco antes e durante o tratamento.
A orientação do CFM reforça que a avaliação prévia e o monitoramento contínuo são componentes inseparáveis do uso responsável dos imunobiológicos. Mais do que atender a uma recomendação técnica, o rastreio obrigatório representa uma estratégia de prevenção que contribui para proteger os pacientes e garantir melhores resultados clínicos.
Ao chamar a atenção para a importância da investigação da tuberculose latente e de outras condições relevantes antes do início da terapia, o conselho busca fortalecer práticas que aumentem a segurança assistencial. A medida reforça o papel da avaliação criteriosa na medicina moderna e destaca que tratamentos inovadores exigem cuidados igualmente rigorosos para que seus benefícios sejam plenamente alcançados.









