
O que é a CID-11 FB53?
A CID-11 FB53 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para lesões do ombro. Corresponde ao antigo código M75 da CID-10 e engloba um conjunto de condições que afetam as estruturas do complexo articular do ombro — manguito rotador, bursa subacromial, tendão do bíceps e cápsula articular, entre outras.
O ombro é a articulação com maior amplitude de movimento do corpo humano, o que a torna também particularmente vulnerável a lesões por sobrecarga, movimentos repetitivos e traumas. Isso explica sua presença consistente entre os diagnósticos mais frequentes em afastamentos trabalhistas, especialmente em setores industriais, da construção e de serviços que exigem trabalho acima da cabeça.
Subcategorias da CID-11 FB53
O FB53 organiza as lesões do ombro com maior especificidade do que o M75 da CID-10:
FB53.0 — Síndrome do impacto do ombro: compressão dos tendões do manguito rotador sob o arco coracoacromial, gerando dor e limitação de movimento, especialmente na elevação do braço.
FB53.1 — Lesão do manguito rotador: ruptura parcial ou total dos tendões do manguito (supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular), com amplo espectro de gravidade.
FB53.2 — Tendinite bicipital: inflamação do tendão da cabeça longa do bíceps, frequentemente associada à síndrome do impacto.
FB53.3 — Bursite do ombro: inflamação da bursa subacromial ou subdeltoidea, gerando dor difusa e limitação de amplitude.
FB53.4 — Capsulite adesiva (ombro congelado): fibrose progressiva da cápsula articular, com restrição severa e dolorosa de todos os movimentos.
FB53.Z — Lesão do ombro não especificada: usar apenas quando não for possível especificar o tipo de lesão.

Descrição clínica, sinais e sintomas
As lesões do ombro apresentam quadro clínico variável conforme a estrutura acometida, mas compartilham características comuns: dor na face lateral ou anterior do ombro, frequentemente irradiada para o braço; limitação de amplitude de movimento, especialmente na abdução e rotação externa; dor noturna, que pode interromper o sono; fraqueza na elevação do braço nos casos de lesão do manguito rotador; e crepitação articular durante o movimento.
A capsulite adesiva tem apresentação progressiva em três fases — dolorosa, de rigidez e de resolução — podendo durar de um a três anos sem tratamento adequado.
Causas e fatores de risco
As lesões do ombro têm etiologia multifatorial: movimentos repetitivos com o braço elevado acima da linha do ombro, como ocorre em pintores, soldadores, operadores de linha de montagem e profissionais de saúde; trauma agudo por queda sobre o braço estendido ou impacto direto; degeneração tendínea relacionada ao envelhecimento; postura inadequada crônica, especialmente em trabalhadores de escritório com ergonomia deficiente; e diabetes mellitus, que é fator de risco reconhecido para capsulite adesiva.
Quando utilizar o código CID-11 FB53
O FB53 deve ser adotado a partir de 2027, quando a CID-11 entrar em vigor no Brasil. Até lá, M75 e suas subclassificações da CID-10 (M75.0 a M75.5) permanecem vigentes. O profissional deve selecionar a subclassificação mais específica, priorizando o diagnóstico confirmado por exame clínico e de imagem — ultrassonografia ou ressonância magnética são os métodos de escolha para as lesões do manguito rotador.
A CID-11 FB53 dá direito a afastamento ou atestado?
As lesões do ombro figuram entre os diagnósticos mais frequentes em afastamentos de média e longa duração. A incapacidade para realizar movimentos de elevação, rotação e força com o membro superior é objetivamente demonstrável e diretamente vinculada à maioria das atividades laborais.
O tempo de afastamento varia conforme o diagnóstico: uma bursite aguda pode resolver em semanas com tratamento conservador, enquanto uma ruptura total do manguito rotador com indicação cirúrgica pode demandar afastamento de quatro a seis meses, incluindo reabilitação. O laudo deve descrever a lesão, o tratamento em curso e as limitações funcionais específicas.
Importância da CID-11 FB53 na prática clínica
A especificidade das subclassificações do FB53 é clinicamente relevante: distinguir uma bursite de uma lesão do manguito ou de uma capsulite adesiva tem implicações diretas na escolha do tratamento — fisioterapia, infiltração, bloqueio ou cirurgia — e no prognóstico funcional. Registros mais precisos também favorecem a análise epidemiológica de lesões ocupacionais por setor de atividade.
Para serviços de medicina do trabalho, o FB53 é um código de monitoramento estratégico: a recorrência de lesões de ombro em determinados postos de trabalho pode indicar inadequação ergonômica que justifica intervenção preventiva.
Concluindo
A CID-11 FB53 atualiza o M75 da CID-10 com subcategorias mais precisas para as lesões do ombro, favorecendo o diagnóstico diferencial, a escolha terapêutica e a qualidade dos registros clínicos. Com a transição prevista para 2027 no Brasil, profissionais de ortopedia, fisioterapia e medicina do trabalho devem se familiarizar com a nova estrutura de codificação para garantir registros adequados e suporte correto aos pacientes afastados.










