
O que é a CID-11 FA82?
A CID-11 FA82 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para espondilose, correspondente ao M47 da CID-10. A espondilose é um processo degenerativo da coluna vertebral que afeta simultaneamente os discos intervertebrais, as articulações facetárias, os ligamentos e os corpos vertebrais, resultando na formação de osteófitos — projeções ósseas — e em perda progressiva da mobilidade e da função do segmento acometido.
Trata-se de uma das condições musculoesqueléticas mais prevalentes em adultos a partir da quinta década de vida, mas que pode se manifestar mais precocemente em trabalhadores expostos a sobrecarga física crônica da coluna. É uma das principais causas de dor crônica nas costas e de afastamentos trabalhistas de longa duração no Brasil.
Subcategorias da CID-11 FA82
O FA82 é estruturado por segmento da coluna vertebral, permitindo identificar com precisão a localização da espondilose:
FA82.0 — Espondilose cervical: degeneração do segmento cervical, frequentemente associada a dor no pescoço, rigidez e, nos casos com compressão radicular ou medular, irradiação para membros superiores ou sinais de mielopatia.
FA82.1 — Espondilose torácica: menos frequente e muitas vezes assintomática; quando sintomática, manifesta-se com dor dorsal e, raramente, com sintomas neurológicos.
FA82.2 — Espondilose lombar: a subclassificação mais prevalente, associada a lombalgia crônica, estenose do canal lombar e radiculopatia (lombociatalgia).
FA82.3 — Espondilose com mielopatia: forma mais grave, com compressão da medula espinal, manifestando-se com fraqueza nos membros, alterações de marcha e distúrbios esfinterianos.
FA82.Z — Espondilose não especificada: utilizado quando não é possível identificar o segmento acometido.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O quadro clínico da espondilose varia conforme o segmento acometido e a gravidade da degeneração. Os sintomas mais comuns incluem: dor cervical ou lombar crônica, de caráter mecânico — piora com o movimento e melhora com o repouso; rigidez matinal, especialmente no segmento cervical; limitação progressiva da amplitude de movimento da coluna; irradiação da dor para os membros superiores (radiculopatia cervical) ou inferiores (radiculopatia lombar); parestesias e fraqueza muscular nos membros afetados nos casos com compressão radicular.
Nos casos de mielopatia cervical (FA82.3), podem surgir sinais de comprometimento do neurônio motor superior: hiperreflexia, sinal de Babinski, dificuldade de coordenação fina das mãos e alterações de marcha — quadro que requer avaliação neurocirúrgica urgente.
Causas e fatores de risco
A espondilose é primariamente um processo de envelhecimento, mas seu aparecimento precoce e sua progressão acelerada estão associados a fatores modificáveis: trabalho físico com carga axial repetitiva sobre a coluna — operadores de maquinário pesado, motoristas profissionais, trabalhadores da construção civil; postura sentada prolongada sem suporte lombar adequado; tabagismo, que compromete a nutrição do disco intervertebral; obesidade; histórico de traumas na coluna; e sedentarismo com fraqueza da musculatura estabilizadora.

Quando utilizar o código CID-11 FA82
O FA82 deve ser adotado a partir de 2027, com a vigência da CID-11 no Brasil. Até lá, o M47 da CID-10 e suas subclassificações permanecem em vigor. É importante distinguir a espondilose (FA82) dos transtornos de disco intervertebral (FA80): na espondilose, o processo degenerativo é mais amplo, envolvendo múltiplas estruturas além do disco; nas discopatias, o foco é no disco em si.
O profissional deve especificar o segmento — FA82.0 para cervical, FA82.2 para lombar — e indicar a presença de mielopatia (FA82.3) quando houver sinais clínicos de compressão medular, dado que essa subclassificação tem implicações terapêuticas e prognósticas distintas.
A CID-11 FA82 dá direito a afastamento ou atestado?
A espondilose é uma condição crônica e progressiva que pode justificar afastamentos de curta, média ou longa duração conforme a gravidade dos sintomas e o tipo de atividade laboral. Trabalhadores com atividades que exigem esforço físico da coluna — levantamento de carga, vibração corporal, postura forçada — são os mais impactados.
Para a perícia do INSS, o laudo deve documentar o segmento acometido, o grau de degeneração (preferencialmente com ressonância magnética ou tomografia), a presença de radiculopatia ou mielopatia e as limitações funcionais específicas. A espondilose com mielopatia ou com radiculopatia grave tem maior respaldo para concessão de benefício por incapacidade.
Importância da CID-11 FA82 na prática clínica
A distinção entre os segmentos acometidos pela espondilose, viabilizada pelas subclassificações do FA82, é clinicamente relevante porque o manejo terapêutico difere: a espondilose cervical com mielopatia frequentemente requer avaliação cirúrgica precoce, enquanto a espondilose lombar sem compressão radicular pode ser tratada de forma conservadora por longos períodos.
Para serviços de medicina do trabalho, o FA82 é um código relevante no monitoramento de trabalhadores com exposição crônica a fatores de risco para degeneração vertebral, permitindo rastrear a progressão clínica e ajustar restrições de atividade ao longo do tempo.
Concluindo
A CID-11 FA82 atualiza o M47 da CID-10 para a espondilose, com subclassificações por segmento vertebral e pela presença de mielopatia que tornam o código mais informativo e clinicamente útil. Com a transição prevista para 2027 no Brasil, ortopedistas, neurologistas e profissionais de medicina do trabalho devem se familiarizar com a nova estrutura de codificação, garantindo registros mais precisos e suporte adequado aos pacientes com essa condição degenerativa crônica.










