
O que é a CID-11 NA71?
A CID-11 NA71 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para fratura do fêmur, correspondente ao S72 da CID-10. O fêmur é o osso mais longo e robusto do corpo humano, e suas fraturas estão entre as lesões ortopédicas de maior gravidade — tanto pelo risco de complicações sistêmicas quanto pelo impacto sobre a capacidade funcional e a qualidade de vida do paciente.
As fraturas do fêmur ocorrem em dois perfis epidemiológicos distintos: em adultos jovens, geralmente por traumas de alta energia como acidentes de trânsito e quedas de altura — comuns em acidentes de trabalho —; e em idosos, frequentemente por traumas de baixa energia como quedas da própria altura, sobre uma base de fragilidade óssea por osteoporose.
Em 2025, as fraturas do fêmur (S72/NA71) geraram 112.440 benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo INSS, figurando como a décima primeira maior causa de afastamento trabalhista no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social.
Subcategorias da CID-11 NA71
O NA71 organiza as fraturas do fêmur por localização anatômica, com subclassificações de maior granularidade do que o S72 da CID-10:
NA71.0 — Fratura do colo do fêmur: a mais comum em idosos; ocorre na região entre a cabeça e o maciço trocantérico, com alto risco de necrose avascular da cabeça femoral se não tratada adequadamente.
NA71.1 — Fratura trocantérica: inclui as fraturas intertrocantéricas e pertrocantéricas, também frequentes em idosos; geralmente tratadas com fixação cirúrgica por haste ou placa.
NA71.2 — Fratura subtrocantérica: localizada abaixo do maciço trocantérico; frequentemente associada a traumas de maior energia e com maior dificuldade de fixação cirúrgica.
NA71.3 — Fratura da diáfise do fêmur: fratura do terço médio do osso; típica de traumas de alta energia em adultos jovens.
NA71.4 — Fratura supracondiliana e condiliana: fratura próxima ao joelho; pode comprometer a articulação e exigir reconstrução complexa.
NA71.Z — Fratura do fêmur não especificada: usar apenas quando não for possível identificar o segmento.
Descrição clínica, sinais e sintomas
A fratura do fêmur apresenta quadro clínico de instalação aguda e habitualmente dramática: dor intensa no membro inferior, incapacidade imediata de suporte de carga e deambulação; deformidade do membro, com rotação externa e encurtamento nos casos de fratura do colo ou trocantérica; edema e hematoma extensos na coxa nas fraturas diafisárias; e choque hipovolêmico nos casos de fratura da diáfise com hemorragia interna significativa — a diáfise femoral pode alojar até 1,5 litro de sangue.
O diagnóstico é confirmado por radiografia simples. Tomografia computadorizada é indicada em fraturas articulares e nos casos em que há suspeita de extensão intra-articular.
Causas e fatores de risco
Em adultos jovens e em trabalhadores, as fraturas do fêmur resultam predominantemente de traumas de alta energia: acidentes de trânsito, quedas de altura em obras e construção civil, e esmagamentos por maquinário. Em idosos, a osteoporose é o principal fator predisponente, tornando o osso vulnerável a fraturas por mecanismos de baixa energia.
Os principais fatores de risco incluem: osteoporose e baixa densidade mineral óssea; trabalho em altura sem equipamentos de proteção adequados; operação de maquinário pesado; uso crônico de corticosteroides; tabagismo; deficiência de vitamina D e cálcio; e histórico de quedas repetidas.

Quando utilizar o código CID-11 NA71
O NA71 deve ser adotado a partir de 2027, quando a CID-11 entrar em vigor no Brasil. Até lá, o S72 e suas subclassificações da CID-10 permanecem vigentes. O profissional deve especificar a localização anatômica da fratura — colo, trocantérica, diafisária, supracondiliana — utilizando a subclassificação correspondente, com base nos achados de imagem.
A CID-11 NA71 dá direito a afastamento ou atestado?
As fraturas do fêmur estão entre os diagnósticos com afastamento de maior duração no âmbito previdenciário. A incapacidade para deambulação e suporte de carga é imediata e objetivamente demonstrável. O tempo de afastamento varia conforme a localização e o tratamento: fraturas do colo tratadas com artroplastia total do quadril podem ter alta precoce, mas a reabilitação completa demanda três a seis meses; fraturas diafisárias com fixação por haste intramedular podem requerer afastamento de quatro a seis meses.
Para trabalhadores com atividades de alto risco físico — como operadores de maquinário, trabalhadores em altura e motoristas profissionais —, o laudo deve avaliar criteriosamente o momento seguro para o retorno, considerando a resistência mecânica do osso consolidado e as demandas da função.
Importância da CID-11 NA71 na prática clínica
A precisão das subclassificações do NA71 é clinicamente relevante porque cada tipo de fratura femoral tem indicação cirúrgica, tempo de consolidação e protocolo de reabilitação distintos. Registros mais precisos favorecem o monitoramento de complicações — pseudartrose, necrose avascular, infecção de implante — e a gestão longitudinal de pacientes com afastamentos prolongados.
Para serviços de medicina do trabalho e perícia previdenciária, a especificidade do código NA71 facilita a correlação entre o tipo de fratura, o mecanismo do acidente e as condições do ambiente de trabalho, subsidiando a emissão da CAT e a investigação de nexo causal.
Concluindo
A CID-11 NA71 atualiza o S72 da CID-10 para as fraturas do fêmur, com subclassificações anatômicas mais detalhadas que favorecem o registro clínico preciso, o planejamento terapêutico e o suporte previdenciário adequado. Com a transição prevista para 2027 no Brasil, ortopedistas, médicos do trabalho e profissionais de perícia devem incorporar o novo código em sua prática clínica.










