
Um estudo brasileiro desenvolvido pela Afip, sobre autoverificação de exames laboratoriais recebeu reconhecimento internacional. O trabalho foi desenvolvido pela Afip e apresentado no Association for Diagnostics & Laboratory Medicine (ADLM), congresso realizado nos Estados Unidos.
A pesquisa foi conduzida por Roberto Ayoub, analista do setor de excelência e eficiência operacional da instituição. O foco do estudo foi a aplicação de regras automatizadas para a validação de resultados de exames de hematologia e coagulação.
O projeto foi premiado com um Abstract Award em julho deste ano, reconhecimento concedido a resumos de pesquisas de alta excelência científica. O feito reforça o protagonismo da medicina diagnóstica brasileira em fóruns internacionais.
A seguir, entenda como funciona a autoverificação, o que motivou o estudo e quais são os impactos esperados para laboratórios clínicos e para a segurança dos pacientes.
Como funciona a autoverificação de exames
A autoverificação é o núcleo da tecnologia desenvolvida pela Afip. O sistema utiliza critérios previamente definidos para analisar resultados laboratoriais antes da liberação.
Com base nesses critérios, o algoritmo identifica quais resultados podem seguir automaticamente pelo fluxo de aprovação. Casos que exigem avaliação especializada são direcionados a profissionais responsáveis.
A proposta é reduzir etapas manuais no processo de validação. Isso diminui a chance de erro humano ao longo da rotina laboratorial.
Ao mesmo tempo, a automação busca tornar o fluxo mais ágil. A segurança do paciente é mantida como prioridade central da estratégia.
O estudo tem título em inglês: “Improving Laboratory Efficiency and Patient Safety Through Data-Driven Autoverification in Hematology and Coagulation”.
Segundo Fabiano Mattesco, coautor da pesquisa e gerente executivo de operações da Afip, o avanço da medicina diagnóstica depende da capacidade de transformar dados em decisões melhores. Para ele, os laboratórios geram milhões de informações diariamente.
Quando essas informações são estruturadas de forma inteligente, afirma Mattesco, contribuem para decisões mais rápidas e processos mais seguros. O resultado, segundo o executivo, são melhores desfechos para os pacientes.
A pesquisa integra uma estratégia mais ampla da Afip para ampliar o uso de tecnologia, automação e análise de dados na medicina diagnóstica.

Impactos para laboratórios e para o setor de saúde
O reconhecimento no ADLM tem peso simbólico para o setor. O congresso reúne especialistas de diferentes países para discutir avanços em diagnóstico molecular, automação e ciência de dados.
Para dimensionar a relevância operacional do estudo, vale observar a escala da Afip. A instituição processa atualmente mais de 90 milhões de exames por ano.
Desse total, 76% são destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Isso significa que ganhos de eficiência na validação de exames têm potencial de impacto em larga escala.
Para gestores de laboratórios e redes de diagnóstico, a autoverificação aponta um caminho de padronização de processos. A tecnologia também sinaliza uma via para redução de retrabalho manual.
O caso também reforça a relevância da ciência de dados aplicada à rotina laboratorial. Iniciativas semelhantes tendem a ganhar espaço em outras instituições do setor.
O prêmio internacional reconhece não apenas o resultado técnico, mas a metodologia usada para chegar a ele — um ponto de atenção para quem acompanha inovação em diagnóstico.
O caso da Afip ilustra como a automação, quando bem estruturada, pode caminhar lado a lado com a segurança assistencial. A validação de exames por algoritmo não substitui o julgamento clínico especializado, mas reduz o volume de decisões repetitivas na rotina laboratorial.
Para o setor de diagnóstico, o episódio reforça uma tendência já em curso: o uso de dados como ferramenta de gestão, e não apenas de suporte técnico. Laboratórios que investem em autoverificação buscam equilibrar volume de exames com controle de qualidade.
O reconhecimento internacional também posiciona a produção científica brasileira em um debate global sobre eficiência laboratorial. Isso pode abrir espaço para colaborações e trocas de conhecimento com outras instituições.
De forma mais ampla, o caso reforça que a transformação digital na saúde avança por etapas concretas — como a validação automatizada de exames — antes de resultados mais amplos em segurança do paciente.









