
O que é a CID-11 NA41?
A CID-11 NA41 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para fraturas ao nível do ombro e do braço, correspondente ao S42 da CID-10. O grupo abrange fraturas da clavícula, da escápula, do úmero proximal, da diáfise umeral e do úmero distal — estruturas que compõem o complexo do ombro e o segmento proximal do membro superior.
Essas fraturas são frequentes em acidentes de trabalho, quedas de altura e esportes de contato, e têm relevância previdenciária direta pelo comprometimento da função do membro superior — essencial para a maioria das atividades laborais.

Subcategorias da CID-11 NA41
O NA41 organiza as fraturas por estrutura anatômica acometida:
NA41.0 — Fratura da clavícula: a mais comum das fraturas do ombro; frequentemente no terço médio, por trauma direto ou queda sobre o ombro. Tratada conservadoramente na maioria dos casos.
NA41.1 — Fratura da escápula: menos frequente; geralmente associada a traumas de alta energia; pode coexistir com pneumotórax e fraturas costais.
NA41.2 — Fratura do úmero proximal: inclui fraturas do colo cirúrgico, do tubérculo maior e do tubérculo menor; frequente em idosos por queda da própria altura sobre osteoporose.
NA41.3 — Fratura da diáfise do úmero: fratura no terço médio do úmero; risco de lesão do nervo radial (paralisia radial) pelo trajeto do nervo no canal de torção.
NA41.4 — Fratura do úmero distal: fratura da região supracondilar ou dos côndilos; mais frequente em crianças; nos adultos, geralmente exige fixação cirúrgica.
NA41.Z — Fratura do ombro e do braço não especificada: usar apenas quando não for possível identificar a estrutura fraturada.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O quadro clínico das fraturas do ombro e do braço inclui: dor aguda intensa no local do trauma, com piora à movimentação passiva e ativa; edema e equimose progressivos; deformidade visível nas fraturas com desvio significativo; impotência funcional do membro superior — incapacidade de elevar o braço nas fraturas do úmero proximal; e, nas fraturas da diáfise umeral com lesão do nervo radial, queda do punho (wrist drop) com incapacidade de extensão do punho e dos dedos.
O diagnóstico é confirmado por radiografia simples nas incidências anteroposterior e perfil. A tomografia computadorizada é indicada para fraturas complexas do úmero proximal e do úmero distal, para planejamento cirúrgico.
Causas e fatores de risco
As fraturas do ombro e do braço resultam principalmente de quedas com apoio sobre o membro superior estendido, traumas diretos e acidentes de alta energia. As fraturas do úmero proximal são particularmente frequentes em idosas com osteoporose após quedas da própria altura. As fraturas da diáfise umeral são mais comuns em adultos jovens após acidentes de trânsito ou quedas de altura no trabalho.
Os principais fatores de risco incluem osteoporose, atividades com risco de queda, pisos escorregadios no ambiente laboral, trabalho em altura sem equipamentos de proteção adequados e esportes de contato.
Quando utilizar o código CID-11 NA41
O NA41 deve ser adotado a partir de 2027, com a vigência da CID-11 no Brasil. Até lá, o S42 da CID-10 permanece em vigor. O profissional deve especificar a estrutura fraturada — clavícula (NA41.0), escápula (NA41.1), úmero proximal (NA41.2), diáfise (NA41.3) ou úmero distal (NA41.4) — com base nos achados radiológicos.
Nas fraturas da diáfise umeral com lesão do nervo radial, um código adicional para neuropraxia ou lesão do nervo radial deve ser registrado para documentar a complicação neurológica.
A CID-11 NA41 dá direito a afastamento ou atestado?
As fraturas do ombro e do braço comprometem diretamente a função do membro superior, justificando afastamento em praticamente todos os casos. A duração varia: fraturas da clavícula tratadas conservadoramente costumam requerer quatro a seis semanas de afastamento; fraturas do úmero proximal com tratamento cirúrgico podem demandar três a seis meses, incluindo reabilitação.
Para trabalhadores com atividades manuais intensas — soldadores, operadores de maquinário, pedreiros —, o retorno ao trabalho pleno pode ser mais tardio do que o critério de consolidação óssea, sendo a avaliação funcional do fisioterapeuta essencial para a determinação do momento seguro de retorno.
Importância da CID-11 NA41 na prática clínica
A especificidade das subclassificações do NA41 favorece o registro preciso de fraturas do ombro e do braço em prontuários eletrônicos, com impacto direto na análise epidemiológica de acidentes de trabalho por setor de atividade. Para a medicina do trabalho, a distinção entre fratura da clavícula — frequente em quedas de menor energia — e fratura da diáfise umeral — típica de traumas de alta energia — tem implicações para a investigação das condições do acidente e para as medidas preventivas.
Concluindo
A CID-11 NA41 atualiza o S42 da CID-10 para as fraturas do ombro e do braço, com subclassificações anatômicas que permitem o registro preciso de cada tipo de fratura. Com a transição prevista para 2027 no Brasil, ortopedistas e médicos do trabalho devem incorporar o novo código em sua prática, garantindo registros mais informativos e suporte adequado a trabalhadores afastados por essas lesões.









