
O que é a CID-11 NA51?
A CID-11 NA51 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para fraturas do antebraço, correspondente ao código S52 da CID-10. O antebraço é composto por dois ossos — rádio e ulna — que trabalham em conjunto para permitir os movimentos de pronação e supinação do punho, além de contribuírem para a estabilidade e a força do membro superior.
As fraturas do antebraço estão entre as lesões ortopédicas mais frequentes em adultos e crianças, com alta incidência em acidentes de trabalho, quedas e esportes de contato. Sua relevância previdenciária decorre do comprometimento direto da capacidade laboral para atividades que exigem força, preensão e movimentação do membro superior.
Subcategorias da CID-11 NA51
O NA51 é estruturado com subclassificações baseadas no osso fraturado e na localização anatômica:
NA51.0 — Fratura da extremidade proximal do rádio: fratura da cabeça ou colo do rádio, frequente em quedas com apoio da mão.
NA51.1 — Fratura da diáfise do rádio: fratura no terço médio do rádio; pode estar isolada ou associada à fratura da ulna.
NA51.2 — Fratura da extremidade distal do rádio: inclui a fratura de Colles e a de Smith, as mais comuns do esqueleto em adultos, resultantes de quedas com apoio da mão estendida.
NA51.3 — Fratura da ulna: pode ocorrer isoladamente (como nas fraturas do processo estilóide) ou em associação com fratura do rádio.
NA51.4 — Fratura de ambos os ossos do antebraço: lesão mais grave, com maior instabilidade e frequentemente com indicação cirúrgica.
NA51.Z — Fratura do antebraço não especificada: usar apenas quando não for possível determinar o osso ou segmento afetado.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O quadro clínico de uma fratura do antebraço inclui: dor aguda no local do trauma, com piora à palpação e ao movimento; edema e equimose progressivos; deformidade visível nos casos com desvio significativo dos fragmentos; limitação funcional para pronação, supinação, flexão e extensão do punho; e crepitação óssea à mobilização passiva.
O diagnóstico é confirmado por radiografia nas incidências anteroposterior e perfil. A tomografia computadorizada é indicada em fraturas articulares complexas, especialmente na extremidade distal do rádio, para planejamento cirúrgico.
Causas e fatores de risco
As fraturas do antebraço resultam principalmente de quedas com apoio da mão — o mecanismo de queda sobre a mão estendida (FOOSH, do inglês fall on outstretched hand) é o mais frequente — e de traumas diretos. No ambiente de trabalho, são comuns em atividades que envolvem risco de queda de altura, operação de maquinário e esportes coletivos.
Os principais fatores de risco incluem osteoporose (especialmente para fraturas distais do rádio em mulheres pós-menopáusicas), atividades com risco de queda, pisos escorregadios no ambiente laboral e deficiência de vitamina D e cálcio.

Quando utilizar o código CID-11 NA51
O NA51 deve ser utilizado a partir de 2027, com a entrada em vigor da CID-11 no Brasil. Até lá, o código S52 da CID-10 e suas subclassificações permanecem vigentes para atestados, laudos e registros no eSocial.
O profissional deve especificar o osso fraturado (rádio, ulna ou ambos) e o segmento anatômico (proximal, diafisário ou distal) para garantir a subclassificação mais precisa. A fratura de Colles, por exemplo, deve ser registrada como NA51.2, e não como NA51.Z.
A CID-11 NA51 dá direito a afastamento ou atestado?
As fraturas do antebraço comprometem diretamente a função do membro superior, com impacto evidente sobre a capacidade laboral para atividades que exigem preensão, força ou movimentos do punho. O afastamento é praticamente universal nos casos sintomáticos, com duração variando entre quatro semanas (fraturas simples tratadas conservadoramente) e três a quatro meses (fraturas complexas com tratamento cirúrgico e reabilitação).
O laudo deve especificar o tipo de fratura, o tratamento adotado — imobilização gessada, cirurgia com fixação interna ou placa — e as limitações funcionais para o retorno ao trabalho. Para trabalhadores com atividades de alta demanda para o membro superior, o período de reabilitação pode justificar afastamento prolongado.
Importância da CID-11 NA51 na prática clínica
A maior especificidade do NA51 em relação ao S52 da CID-10 permite registros clínicos mais informativos para estudos de epidemiologia de acidentes de trabalho e para o planejamento de programas de prevenção. A diferenciação entre fraturas do rádio distal — mais comuns em idosos e em quedas domiciliares — e fraturas diafisárias — mais frequentes em acidentes laborais e de trânsito — tem implicações distintas para políticas de saúde pública e segurança ocupacional.
Concluindo
A CID-11 NA51 representa a atualização do S52 da CID-10 para as fraturas do antebraço, com subclassificações mais precisas e alinhadas ao padrão digital da OMS. Compreender sua estrutura é fundamental para ortopedistas, médicos do trabalho e profissionais que emitem laudos previdenciários, especialmente em contextos de alta incidência de acidentes com lesões do membro superior.









