
O que é a CID-10 B02?
A CID-10 B02 é o código da 10.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para herpes zoster — popularmente conhecido como ‘cobreiro’. Trata-se de uma infecção viral causada pela reativação do vírus varicela-zóster (VVZ), o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção primária (catapora), o vírus permanece latente nos gânglios sensoriais da medula espinal e dos nervos cranianos durante toda a vida, podendo reativar-se décadas depois quando a imunidade celular declina.
A reativação viral produz uma erupção cutânea vesicular dolorosa, unilateral e dermatomal — ou seja, restrita ao território de distribuição de um nervo específico —, geralmente acompanhada de dor intensa que pode preceder, acompanhar e persistir após o desaparecimento das lesões. É uma condição de prevalência crescente com o envelhecimento da população e tem relevância previdenciária por seu potencial de causar dor crônica incapacitante.

Subcategorias da CID-10 B02
B02.0 — Encefalite por herpes zoster: complicação neurológica grave com inflamação encefálica; mais frequente em imunossuprimidos.
B02.1 — Meningite por herpes zoster: inflamação meníngea pelo VVZ; apresentação com rigidez de nuca, febre e cefaleia intensa.
B02.2 — Herpes zoster com outras complicações neurológicas: inclui mielite, paralisia facial (síndrome de Ramsay Hunt) e polineuropatia.
B02.3 — Herpes zoster ocular: envolvimento do ramo oftálmico do trigêmeo, com risco de ceratite, uveíte e perda visual permanente.
B02.7 — Herpes zoster disseminado: forma grave com envolvimento de múltiplos dermátomos ou órgãos internos; exclusivo de imunossuprimidos.
B02.9 — Herpes zoster sem complicações: forma clássica com erupção dermatomal e dor, sem complicações sistêmicas.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O herpes zoster evolui em fases características: pródromo (dois a quatro dias antes da erupção) com dor, queimação ou hiperestesia no dermátomo afetado, acompanhada de febre baixa e mal-estar; fase eruptiva com surgimento de eritema e vesículas agrupadas em banda unilateral ao longo do dermátomo — classicamente no tronco, mas possível em qualquer região; e fase de resolução, com secagem e crustificação das lesões em sete a dez dias.
A neuralgia pós-herpética (NPH) — dor persistente por mais de 90 dias após a resolução das lesões — é a complicação mais frequente e clinicamente mais relevante, afetando até 30% dos pacientes acima de 60 anos. Manifesta-se como dor neuropática intensa, em queimação ou choque elétrico, com alodinia (dor ao toque leve) e impacto severo sobre a qualidade de vida e a capacidade laboral.
Causas e fatores de risco
A reativação do VVZ ocorre quando a imunidade celular ao vírus declina abaixo de um limiar crítico. Os principais fatores de risco incluem: idade avançada (a incidência aumenta exponencialmente após os 50 anos); imunossupressão por doença (HIV, neoplasias hematológicas) ou por medicamentos (corticosteroides, quimioterapia, imunobiológicos); estresse físico ou emocional intenso; e trauma local no dermátomo afetado.
Quando utilizar o CID-10 B02
O B02 deve ser utilizado sempre que o diagnóstico clínico de herpes zoster for estabelecido — baseado no quadro clínico característico de erupção vesicular dermatomal unilateral com dor associada. A subclassificação deve especificar a presença de complicações — B02.3 para o zoster oftálmico, B02.7 para a forma disseminada —, pois cada forma tem implicações terapêuticas e prognósticas distintas.
A CID-10 B02 dá direito a afastamento ou atestado?
O herpes zoster agudo justifica afastamento médico de sete a quatorze dias na maioria dos casos, período de maior contagiosidade e dor. Para pacientes com neuralgia pós-herpética grave — dor crônica incapacitante —, o afastamento pode ser prolongado por semanas a meses, dependendo da resposta ao tratamento. O laudo deve descrever a localização das lesões, a presença de complicações e o impacto funcional da dor sobre as atividades laborais.
Importância do CID-10 B02 na prática clínica
O herpes zoster é prevenível pela vacina recombinante contra herpes zoster (Shingrix), com eficácia superior a 90% na prevenção da doença e da NPH em adultos acima de 50 anos. Para clínicas e serviços de medicina do trabalho, a identificação de trabalhadores imunocomprometidos ou acima de 50 anos e a orientação sobre a vacinação são medidas preventivas de alto impacto sobre a incidência de NPH e seus custos previdenciários associados.
Concluindo
A CID-10 B02 identifica o herpes zoster e suas complicações, com subcategorias que distinguem as formas neurológicas, oculares e disseminadas. A neuralgia pós-herpética é a complicação de maior impacto sobre a capacidade laboral e justifica atenção especial no manejo clínico e no suporte previdenciário. A vacinação é a principal estratégia de prevenção disponível para populações de risco.










