
A Anvisa aprovou o Emrelis (telisotuzumabe vedotina), novo medicamento para pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) avançado. A decisão foi divulgada em outubro de 2026 e abre mais uma opção terapêutica para um grupo com poucas alternativas após os tratamentos já disponíveis.
O medicamento é indicado para o subtipo não escamoso, localmente avançado ou metastático, em pacientes que já receberam terapia sistêmica anteriormente. A aprovação vale para casos com alta superexpressão da proteína c-Met e com receptor do fator de crescimento epidérmico do tipo selvagem.
Para quem o Emrelis é indicado
A indicação é restrita a um perfil específico. Segundo a Anvisa, o paciente precisa ter câncer de pulmão de células não pequenas do subtipo não escamoso, em estágio localmente avançado ou metastático, com alta superexpressão da proteína c-Met e receptor do fator de crescimento epidérmico do tipo selvagem. Também é necessário que já tenha passado por terapia sistêmica.
O CPCNP representa cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão, e cerca de 70% deles são do subtipo não escamoso, alvo do medicamento aprovado. A agência lembra que o câncer de pulmão está entre as principais causas de morte por doença no mundo, o que reforça o peso de ampliar as alternativas disponíveis.

Como o medicamento atua e o que mostrou o estudo
De acordo com a Anvisa, o medicamento se liga de forma seletiva à proteína c-Met na superfície das células tumorais, permite a internalização do complexo e libera a monometilauristatina E dentro da célula, o que provoca a morte celular direcionada.
O estudo conduzido em pacientes com CPCNP previamente tratados mostrou taxa de resposta objetiva de 29,2% na população total avaliada. Entre os pacientes com alta superexpressão de c-Met, a taxa foi de 34,5%. A agência descreve esse resultado como associado a respostas duradouras e a benefício clínico relevante em um cenário de opções limitadas.
Pacientes com a doença localmente avançada ou metastática têm prognóstico desfavorável e, depois da quimioterapia e da imunoterapia, a disponibilidade de terapias é restrita. É nesse ponto do tratamento que a nova aprovação se encaixa.
Como a indicação está ligada a características específicas do tumor, como a superexpressão da proteína c-Met, a definição do perfil de cada paciente faz parte da avaliação para o uso do medicamento. Isso mostra que a aprovação não vale para todos os casos de câncer de pulmão, mas para um grupo bem delimitado.
Anvisa também registra novo medicamento para câncer de mama
Na mesma ocasião, a Anvisa registrou o Poherdy (pertuzumabe), indicado para câncer de mama metastático e em estágio inicial. Na doença metastática, o uso é combinado com trastuzumabe e docetaxel, em pacientes com câncer de mama HER2-positivo metastático ou localmente recorrente não operável, sem tratamento prévio com anti-HER2 ou quimioterapia.
Na doença em estágio inicial, o uso é combinado com trastuzumabe e quimioterapia. A indicação inclui o tratamento neoadjuvante, antes da cirurgia, em pacientes HER2-positivo com alto risco de recorrência, e o adjuvante, após a cirurgia, também em casos de alto risco.
O que isso muda para clínicas e serviços de oncologia
Para clínicas e serviços de oncologia, a aprovação amplia o leque de terapias registradas no país. A definição de quem pode receber cada tratamento, porém, segue dependendo da avaliação médica e dos critérios de indicação previstos no registro.
Isso vale para o Emrelis, indicado para um perfil específico de câncer de pulmão, e também para o Poherdy, no câncer de mama HER2-positivo, em que cada indicação tem condições bem delimitadas.
Acompanhar as decisões da Anvisa ajuda gestores de saúde a se manterem atualizados sobre novas opções terapêuticas e sobre as indicações previstas em cada registro, informação que também influencia a organização do atendimento.








