IA na saúde enfrenta um gargalo: o setor é o que apresenta a menor conversão de pilotos de inteligência artificial para produção, segundo a pesquisa global The AI Production Paradox, da Sinch. O estudo ouviu 2.527 líderes empresariais de organizações com mais de mil funcionários, em seis setores e dez países, e mostra que 62% das empresas já têm agentes de IA em produção em seus canais de comunicação.
Na saúde, a percepção sobre a maturidade da IA muda conforme o cargo: 36% dos executivos C-level do setor consideram seus guardrails totalmente maduros, enquanto apenas 18% dos diretores e gerentes responsáveis pela implementação têm a mesma avaliação.
Segurança lidera os investimentos, mas falhas de governança persistem
A pesquisa mostra que 75% das organizações colocam confiança, segurança e compliance entre as principais prioridades de investimento em agentes de IA, à frente do próprio desenvolvimento de IA na saúde, citado por 63%. No setor de saúde, essa também é a principal categoria de investimento, indicada por 75% dos respondentes.
Investir em governança, porém, não elimina os riscos. Globalmente, 74% das organizações que chegaram à produção tiveram de interromper ou fazer rollback de pelo menos um agente de IA por falha de governança. Entre os motivos mais citados estão a exposição de dados pessoais ou de clientes (31%) e alucinações ou riscos relacionados à marca (22%).

Quem decide e quem executa enxergam a IA de formas diferentes
A diferença de percepção aparece também nas expectativas financeiras. Enquanto 34% dos executivos C-level da saúde esperam reduções de custos superiores a 50%, só 12% dos diretores e gerentes responsáveis pela implementação compartilham essa expectativa.
A Medicina S/A publicou comentários do CEO LATAM da Sinch, Mario Marchetti, sobre os resultados do estudo. Para o executivo, a diferença entre as respostas funciona como sinal de atenção para a saúde: o que a direção percebe sobre o preparo da empresa nem sempre corresponde ao que os times técnicos enfrentam no dia a dia, com limitações na base tecnológica, na proteção de dados e nas regras de controle. Ele avalia que a IA só ganha escala de forma sustentável quando essas duas perspectivas se encontram.
O trabalho técnico também pesa: 84% das equipes de engenharia responsáveis por comunicações com IA dedicam pelo menos metade do tempo à construção de controles de segurança e guardrails.
O desafio de manter o contexto quando o paciente muda de canal
A pesquisa aponta que 55% das empresas precisam desenvolver soluções próprias para preservar o contexto quando o cliente muda de canal, por exemplo de chat para voz ou de WhatsApp para uma ligação. Na saúde, o paciente pode passar por vários canais na mesma interação. Para Marchetti, no setor de saúde, fazer a pessoa repetir a mesma informação várias vezes não é apenas uma questão de conveniência, porque pode gerar frustração e reduzir a confiança na organização.
Outro dado: 87% dos respondentes consideram uma infraestrutura de comunicação de alta performance essencial ou muito importante para sua estratégia de IA. A satisfação com essa infraestrutura teve a relação mais forte com a confiança em implantar IA, entre as variáveis analisadas.
IA na saúde: o que clínicas e gestores podem observar
A pesquisa foi realizada em janeiro de 2026 com diretores, VPs e C-levels que atuam com estratégia de IA aplicada à comunicação com clientes, em serviços financeiros, saúde, varejo, telecomunicações, tecnologia e serviços profissionais. Os números de impacto de negócios são estimativas declaradas pelas próprias organizações, têm caráter direcional e não são resultados auditados.
Para clínicas, consultórios e instituições de saúde, o estudo traz perguntas práticas: a liderança e a equipe que opera a tecnologia avaliam os controles da mesma forma? Os dados dos pacientes estão protegidos em todos os canais de atendimento? O contexto da conversa é mantido quando o paciente muda de canal? Responder a essas perguntas antes de escalar a IA ajuda a evitar que a velocidade vire risco.









