
O que é a CID-10 R04?
A CID-10 R04 é o código da 10.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para hemorragia das vias respiratórias — sangramento que se origina em qualquer segmento do trato respiratório, desde as fossas nasais até os alvéolos pulmonares. Trata-se de um código de sintoma, utilizado quando o sangramento respiratório é a queixa principal e a causa subjacente ainda não foi identificada ou quando o sangramento é o problema clínico central a ser registrado.
Subcategorias da CID-10 R04
R04.0 — Epistaxe: sangramento nasal — o tipo mais comum de hemorragia das vias respiratórias; na maioria dos casos benigno e autolimitado, mas pode ser grave em pacientes anticoagulados ou com hipertensão arterial não controlada.
R04.1 — Hemorragia da garganta: sangramento de origem faríngea ou tonsilar; frequente após tonsilectomia ou em infecções graves.
R04.2 — Hemoptise: expectoração de sangue proveniente do trato respiratório inferior (brônquios, pulmões); sinal de alarme que requer investigação para exclusão de tuberculose, neoplasia pulmonar, bronquiectasia e embolia pulmonar.
R04.8 — Outras hemorragias das vias aéreas: sangramentos de outros segmentos do trato respiratório.
R04.9 — Hemorragia das vias aéreas não especificada: usar apenas quando não for possível localizar a origem.

Descrição clínica, sinais e sintomas
A epistaxe (R04.0) manifesta-se como sangramento ativo pelas narinas, geralmente unilateral, de intensidade variável. A maioria dos casos é anterior — originada no plexo de Kiesselbach na parte anterior do septo — e de fácil controle com compressão digital. A epistaxe posterior é menos frequente mas mais grave, de difícil controle e frequentemente associada à hipertensão arterial não controlada.
A hemoptise (R04.2) é a expectoração de sangue vivo ou de escarro com estrias sanguinolentas. É sempre um sinal de alarme que requer investigação diagnóstica urgente: as causas mais temidas incluem tuberculose pulmonar ativa, neoplasia pulmonar (especialmente carcinoma broncogênico), bronquiectasia infectada e embolia pulmonar. A hemoptise maciça — expectoração de mais de 200 ml de sangue em 24 horas — é uma emergência médica com risco de vida por asfixia.
Causas e fatores de risco
As causas variam conforme a localização do sangramento. A epistaxe é frequentemente idiopática ou associada a trauma nasal, ressecamento da mucosa, hipertensão arterial, uso de anticoagulantes e distúrbios da coagulação. A hemoptise tem como causas principais: tuberculose pulmonar (ainda a causa mais frequente no Brasil); infecções respiratórias como bronquite e pneumonia; bronquiectasia; neoplasias pulmonares; e condições cardiovasculares como estenose mitral e insuficiência cardíaca.
Quando utilizar o CID-10 R04
O R04 deve ser utilizado quando o sangramento respiratório é a queixa principal e a causa não foi identificada, ou como código de sintoma em conjunto com o diagnóstico da condição subjacente quando ela já é conhecida. A hemoptise (R04.2) deve sempre motivar investigação por tomografia computadorizada do tórax e broncoscopia quando indicado, para identificação da causa e do sítio de sangramento.
A CID-10 R04 dá direito a afastamento ou atestado?
O afastamento depende da causa subjacente e da gravidade do sangramento. A epistaxe simples raramente justifica afastamento prolongado. A hemoptise associada a tuberculose ativa justifica afastamento e notificação compulsória. Hemoptises por neoplasia pulmonar ou outras causas graves demandam afastamento conforme o tratamento da condição de base.
Importância do CID-10 R04 na prática clínica
O R04.2 (hemoptise) é um dos códigos de sintoma com maior urgência diagnóstica implícita. Seu registro deve sempre motivar a investigação da causa subjacente — não sendo aceitável o uso permanente do código de sintoma sem a busca ativa pelo diagnóstico etiológico. Para clínicas de pneumologia e unidades de saúde, o monitoramento de pacientes registrados com R04.2 sem diagnóstico definitivo é um indicador de qualidade do cuidado.
Concluindo
A CID-10 R04 agrupa os sangramentos das vias respiratórias com subcategorias que distinguem a epistaxe, a hemorragia faríngea e a hemoptise. A hemoptise é o subgrupo de maior relevância clínica e urgência diagnóstica, requerendo investigação sistemática para exclusão de causas graves como tuberculose e neoplasia pulmonar.










