
O que é a CID-10 T22?
A CID-10 T22 é o código da 10.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para queimaduras e corrosões do ombro e do membro superior, excluindo punho e mão — que têm código próprio (T23). Trata-se de lesões térmicas, químicas ou elétricas que acometem a pele e estruturas subjacentes no segmento que vai do ombro ao antebraço, com potencial de causar destruição tecidual progressiva, infecção grave e sequelas funcionais permanentes.
As queimaduras nessa região são especialmente relevantes no contexto de acidentes de trabalho, frequentes em setores como construção civil, indústria química, metalurgia e cozinha profissional. A localização no membro superior — essencial para a maioria das atividades laborais — torna essas lesões causa frequente de afastamentos prolongados e de incapacidade funcional relevante.

Subcategorias da CID-10 T22
T22.0 — Queimadura de grau não especificado: usar apenas quando o grau da lesão não foi determinado.
T22.1 — Queimadura de primeiro grau: eritema (vermelhidão) sem formação de bolhas; acomete apenas a epiderme; cura espontânea em três a sete dias.
T22.2 — Queimadura de segundo grau: formação de bolhas (flictenas) com exposição da derme; dor intensa; cicatrização em duas a quatro semanas; risco de cicatriz hipertrófica.
T22.3 — Queimadura de terceira grau: destruição de toda a espessura da pele com comprometimento de estruturas profundas; área indolor por destruição das terminações nervosas; exige enxerto cutâneo.
T22.4 a T22.7 — Corrosões de primeiro a terceiro grau: lesões causadas por agentes químicos (ácidos, bases); a classificação por grau segue os mesmos critérios das queimaduras térmicas.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O quadro clínico varia conforme o grau da queimadura. As de primeiro grau causam dor em queimação, eritema e edema leve, sem formação de bolhas — como as causadas por exposição solar ou contato breve com superfície quente. As de segundo grau apresentam bolhas tensas e dolorosas sobre base eritematosa — a dor é intensa pela exposição das terminações nervosas dérmicas. As de terceiro grau, paradoxalmente, são indolores na área central pela destruição das terminações nervosas, com aspecto esbranquiçado, enegrecido ou coreáceo (semelhante ao couro).
As complicações mais temidas incluem infecção local e sepse (nas queimaduras extensas), contratura cicatricial com limitação funcional permanente do membro superior, e síndrome compartimental nas queimaduras circunferenciais de membro.
Causas e fatores de risco
As queimaduras do membro superior resultam de: contato com superfícies quentes ou chamas (metais aquecidos, fornos, fogões); escaldamento por líquidos quentes (vapor, óleo, água fervente); agentes químicos (ácidos ou bases industriais, produtos de limpeza concentrados); corrente elétrica; e radiação. No ambiente de trabalho, são mais frequentes em cozinheiros, soldadores, eletricistas, operadores de fornos industriais e trabalhadores que manuseiam produtos químicos sem EPI adequado.
Quando utilizar o CID-10 T22
O T22 deve ser utilizado para queimaduras que acometem o ombro, o braço, o cotovelo e o antebraço — excluindo punho e mão (T23) e dedos (T23). A subclassificação pelo grau — T22.1, T22.2 ou T22.3 — deve ser baseada na avaliação clínica da profundidade da lesão, preferencialmente em serviço especializado em queimaduras para os casos de segundo e terceiro graus.
A CID-10 T22 dá direito a afastamento ou atestado?
Queimaduras de segundo grau extensas e todas as de terceiro grau no membro superior justificam afastamento médico. A duração varia amplamente: queimaduras de segundo grau pequenas podem cicatrizar em duas a quatro semanas; queimaduras extensas de terceiro grau com necessidade de enxerto cutâneo e reabilitação podem demandar afastamento de três a seis meses ou mais, dependendo da extensão da lesão e da função residual do membro.
Importância do CID-10 T22 na prática clínica
As queimaduras ocupacionais do membro superior são, em grande parte, preveníveis. O uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI) — luvas, aventais térmicos, protetores de antebraço —, a sinalização de riscos térmicos e químicos e o treinamento correto dos trabalhadores são as principais medidas preventivas. Para serviços de medicina do trabalho, a notificação de acidentes com queimadura deve ser realizada via CAT, e a investigação das condições do acidente é essencial para a implementação de melhorias nos processos.
Concluindo
A CID-10 T22 classifica as queimaduras e corrosões do ombro e do membro superior por grau de profundidade, oferecendo base para o registro preciso dessas lesões em prontuários e laudos. A gravidade da lesão, o tratamento necessário e o impacto sobre a função do membro superior determinam a duração do afastamento e o prognóstico funcional do trabalhador.










