
1 – O que é o CID F31?
O CID F31 é o código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) utilizado para classificar o transtorno afetivo bipolar, um transtorno mental caracterizado pela alternância entre episódios de elevação do humor (mania ou hipomania) e episódios de depressão.
Essa condição afeta o humor, o nível de energia, o comportamento e a capacidade de funcionamento diário. O transtorno bipolar costuma ter evolução crônica, com episódios recorrentes ao longo da vida, exigindo acompanhamento médico contínuo.
O CID F31 é amplamente utilizado em psiquiatria, psicologia clínica e medicina geral para registro diagnóstico, planejamento terapêutico e documentação clínica.

2 – Subcategorias do CID F31
O CID F31 apresenta diversas subcategorias que especificam o tipo de episódio atual ou o padrão do transtorno:
- F31.0 – Transtorno afetivo bipolar, episódio atual hipomaníaco
- F31.1 – Transtorno afetivo bipolar, episódio atual maníaco sem sintomas psicóticos
- F31.2 – Transtorno afetivo bipolar, episódio atual maníaco com sintomas psicóticos
- F31.3 – Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo leve ou moderado
- F31.4 – Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave sem sintomas psicóticos
- F31.5 – Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave com sintomas psicóticos
- F31.6 – Transtorno afetivo bipolar, episódio atual misto
- F31.7 – Transtorno afetivo bipolar atualmente em remissão
- F31.8 – Outros transtornos afetivos bipolares
- F31.9 – Transtorno afetivo bipolar não especificado
A escolha correta da subcategoria é importante para descrever o estado atual do paciente e orientar o tratamento.
3 – Localização na CID-10
O CID F31 está inserido no:
Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (F00–F99)
Mais especificamente no grupo dos:
Transtornos do humor (afetivos) (F30–F39).
Esse grupo inclui condições caracterizadas por alterações significativas do humor, como episódios maníacos, depressivos e outros transtornos afetivos.
4 – Descrição clínica e características
O transtorno afetivo bipolar é marcado por oscilações intensas de humor, que podem variar entre períodos de euforia ou irritabilidade extrema e episódios de depressão profunda.
Episódios maníacos ou hipomaníacos
Durante episódios de mania ou hipomania, podem ocorrer sintomas como:
- Humor elevado, expansivo ou irritável
- Aumento da energia e da atividade
- Diminuição da necessidade de sono
- Fala acelerada
- Pensamentos rápidos ou fuga de ideias
- Impulsividade e comportamento de risco
- Aumento da autoestima ou grandiosidade
Nos casos mais graves, podem surgir sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações.
Episódios depressivos
Nos episódios depressivos, são comuns sintomas como:
- Tristeza persistente
- Falta de energia
- Perda de interesse ou prazer em atividades
- Alterações no sono e no apetite
- Dificuldade de concentração
- Sentimentos de culpa ou inutilidade
- Ideação suicida
Entre os episódios, alguns pacientes podem permanecer assintomáticos por longos períodos.
5 – Quando utilizar o CID F31?
O CID F31 deve ser utilizado quando houver diagnóstico clínico de transtorno bipolar confirmado por avaliação psiquiátrica.
É indicado em:
- Prontuários médicos
- Relatórios psiquiátricos
- Atestados médicos
- Encaminhamentos para tratamento especializado
- Documentação para acompanhamento terapêutico
A subcategoria deve refletir o episódio atual do transtorno, permitindo descrição mais precisa da condição clínica.
6 – Diagnóstico e avaliação
O diagnóstico do transtorno afetivo bipolar é clínico e baseado em critérios psiquiátricos específicos.
A avaliação geralmente inclui:
- Entrevista psiquiátrica detalhada
- Histórico de episódios de mania, hipomania e depressão
- Avaliação do funcionamento social e ocupacional
- Investigação de histórico familiar de transtornos do humor
Também é importante diferenciar o transtorno bipolar de outras condições, como:
- Transtorno depressivo maior
- Transtornos de personalidade
- Transtornos relacionados ao uso de substâncias
- Condições neurológicas ou endócrinas
A identificação precoce do transtorno é fundamental para evitar recorrências e complicações.
7 – Tratamento
O tratamento do transtorno afetivo bipolar é contínuo e envolve abordagem multidisciplinar.
Tratamento medicamentoso
Medicamentos estabilizadores do humor são frequentemente utilizados para controlar os episódios e prevenir recaídas. Dependendo do caso, também podem ser indicados:
- Antipsicóticos
- Antidepressivos (com cautela)
- Estabilizadores adicionais do humor
Psicoterapia
Intervenções psicoterapêuticas podem ajudar o paciente a:
- Reconhecer sinais precoces de recaída
- Desenvolver estratégias de enfrentamento
- Melhorar a adesão ao tratamento
- Regular padrões de sono e rotina
Mudanças no estilo de vida
Estabelecer rotina regular de sono, reduzir estresse e manter acompanhamento médico contínuo são medidas importantes para estabilidade do quadro.
8 – CID F31 dá direito a afastamento do trabalho?
O CID F31 pode justificar afastamento do trabalho, especialmente durante episódios agudos de mania ou depressão grave.
Situações que podem exigir afastamento incluem:
- Episódios maníacos com prejuízo funcional
- Episódios depressivos graves
- Necessidade de internação psiquiátrica
- Ajuste medicamentoso com efeitos colaterais relevantes
O período de afastamento depende da gravidade do episódio, da resposta ao tratamento e da atividade profissional exercida.
9 – Importância do CID F31 na prática clínica
A utilização correta do CID F31 é fundamental para:
- Padronizar o diagnóstico do transtorno bipolar
- Diferenciar episódios maníacos e depressivos
- Orientar estratégias terapêuticas
- Facilitar o acompanhamento longitudinal do paciente
- Contribuir para dados epidemiológicos em saúde mental
O registro preciso também é importante para documentação médica e planejamento de cuidados em saúde mental.
10 – Concluindo
O CID F31 – Transtorno Afetivo Bipolar corresponde à classificação de um transtorno do humor caracterizado por episódios recorrentes de mania, hipomania e depressão.
Trata-se de uma condição crônica que exige diagnóstico adequado, tratamento contínuo e acompanhamento especializado para reduzir recaídas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
A correta utilização do código na documentação clínica garante maior precisão diagnóstica, organização dos registros médicos e melhor planejamento terapêutico.









