
Um exame de sangue mais sensível pode representar um avanço importante no acompanhamento de pacientes com câncer de pâncreas após o tratamento. Pesquisa conduzida por cientistas da Northwestern Medicine, nos Estados Unidos, mostrou que a tecnologia foi capaz de identificar sinais microscópicos da doença que não foram detectados por métodos convencionais, permitindo reconhecer pacientes com maior risco de evolução desfavorável.
Os resultados foram publicados na revista científica Clinical Cancer Research e sugerem que a combinação de diferentes técnicas de análise pode tornar o monitoramento da doença mais preciso. Embora a estratégia ainda dependa de novos estudos antes de ser incorporada à rotina clínica, os achados reforçam o potencial da medicina de precisão no cuidado oncológico.
Teste identificou sinais do tumor que passaram despercebidos por método convencional
O estudo acompanhou 106 pacientes com câncer de pâncreas localizado entre 2020 e 2024. Todos os participantes realizaram quimioterapia antes da cirurgia para retirada do tumor, permitindo que os pesquisadores avaliassem o comportamento da doença durante o tratamento e no período de acompanhamento.
O exame analisou fragmentos de material genético liberados pelas células tumorais na corrente sanguínea. A presença desse DNA circulante pode indicar que ainda existem células cancerígenas no organismo, mesmo após a remoção cirúrgica do tumor, funcionando como um marcador para o risco de recidiva da doença.
Os pesquisadores concentraram a investigação nas alterações do gene KRAS, presentes na maioria dos casos de câncer de pâncreas. Para isso, compararam duas técnicas laboratoriais: o sequenciamento de nova geração (NGS), já utilizado na prática clínica, e a PCR digital em gotas (ddPCR), considerada mais sensível para detectar alterações genéticas específicas.
A diferença entre os métodos chamou a atenção dos pesquisadores. No momento do diagnóstico, o exame convencional identificou fragmentos tumorais em 17 dos 99 pacientes avaliados. Já a técnica ddPCR encontrou esse material genético em 63 dos 97 pacientes analisados, ampliando significativamente a capacidade de detecção.
Segundo os autores, a maior sensibilidade do teste permitiu identificar pacientes que apresentavam resultados negativos no método tradicional, mas que posteriormente demonstraram evolução menos favorável da doença. Isso indica que parte dos casos classificados inicialmente como de menor risco poderia, na realidade, exigir um acompanhamento mais rigoroso.

Resultados podem aprimorar o acompanhamento após o tratamento
Ao analisar os resultados das duas técnicas em conjunto, os pesquisadores observaram diferenças importantes na sobrevida dos pacientes. Aqueles que apresentaram resultado positivo em ambos os exames tiveram a menor sobrevida mediana, de 10 meses.
Entre os pacientes identificados apenas pela técnica ddPCR, a sobrevida mediana foi de 26 meses. Já aqueles que não apresentaram sinais do tumor em nenhuma das análises registraram a melhor evolução clínica, com mediana de 40 meses de sobrevida.
Os resultados sugerem que a combinação das duas metodologias pode contribuir para uma estratificação mais precisa do risco de progressão da doença. Na prática, isso pode auxiliar médicos na definição da intensidade do acompanhamento após a cirurgia e na identificação de pacientes que possam se beneficiar de uma vigilância mais próxima.
O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais agressivos, principalmente porque muitos casos são diagnosticados em fases avançadas. Entre os sintomas mais frequentes estão dor abdominal ou nas costas, perda involuntária de peso, diminuição do apetite, icterícia, alterações nas fezes e na urina, fadiga e problemas digestivos. Dependendo do estágio da doença, o tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
Embora não existam medidas específicas capazes de prevenir o câncer de pâncreas, hábitos como evitar o tabagismo, reduzir o consumo excessivo de álcool e controlar a obesidade estão entre as principais estratégias para diminuir os fatores de risco associados à doença.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que a utilização da técnica ainda precisa ser validada em estudos com um número maior de participantes antes de ser incorporada à rotina dos serviços de saúde. Ainda assim, os achados reforçam o potencial dos exames baseados em biomarcadores para tornar o acompanhamento oncológico mais preciso, permitindo identificar precocemente pacientes com maior risco de recidiva e contribuindo para decisões clínicas mais individualizadas.








