
O que é a CID-11 FA01?
A CID-11 FA01 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para osteoartrite do quadril, correspondente ao M16 da CID-10, anteriormente denominado coxartrose. Assim como ocorreu com a gonartrose (agora FA02), a OMS padronizou o termo ‘osteoartrite’ para substituir ‘artrose’ e seus derivados anatômicos, alinhando a CID-11 à nomenclatura internacionalmente adotada.
A osteoartrite do quadril é uma doença degenerativa crônica da articulação coxofemoral, caracterizada pela deterioração progressiva da cartilagem articular, remodelação do osso subcondral e inflamação sinovial secundária. É uma das principais causas de dor crônica no quadril, de limitação da marcha e de indicação de artroplastia total do quadril em adultos acima de 60 anos.
Subcategorias da CID-11 FA01
O FA01 mantém a distinção entre as formas primária e secundária e a lateralidade:
FA01.0 — Osteoartrite primária do quadril, bilateral: degeneração sem causa estrutural identificável em ambos os quadris; associada ao envelhecimento e a fatores de risco sistêmicos.
FA01.1 — Osteoartrite primária do quadril, unilateral: acomete apenas um quadril; frequentemente relacionada a assimetrias biomecânicas ou sobrecarga unilateral.
FA01.2 — Osteoartrite pós-traumática do quadril: secundária a fratura acetabular, luxação do quadril ou lesão do labrum não tratada adequadamente.
FA01.3 — Displasia do desenvolvimento do quadril com osteoartrite: degeneração articular secundária à displasia congênita, com acetábulo raso e cobertura insuficiente da cabeça femoral.
FA01.Z — Osteoartrite do quadril não especificada: usar apenas quando não for possível classificar a forma ou lateralidade.
Descrição clínica, sinais e sintomas
A osteoartrite do quadril apresenta instalação insidiosa e progressão gradual. Os principais sinais e sintomas incluem: dor na virilha, face lateral do quadril ou região glútea, frequentemente irradiada para a coxa e joelho; dor de caráter mecânico, com piora ao caminhar, subir escadas e levantar de cadeiras, e melhora com repouso; rigidez matinal breve; limitação progressiva da rotação interna e da abdução do quadril — os primeiros movimentos a se perder; marcha antálgica, com inclinação do tronco para o lado afetado (sinal de Trendelenburg); e crepitação articular durante o movimento.
O diagnóstico é confirmado por radiografia simples do quadril em carga, que evidencia diminuição do espaço articular, esclerose subcondral, cistos subcondrais e osteófitos.
Causas e fatores de risco
A osteoartrite do quadril resulta da combinação de fatores sistêmicos e locais: envelhecimento, com perda da capacidade regenerativa da cartilagem; sobrepeso e obesidade; histórico de displasia do quadril na infância; traumas articulares prévios; trabalho físico com carga axial repetitiva sobre o quadril — como carregadores, agricultores e trabalhadores da construção civil; e predisposição genética.
Diferentemente da osteoartrite do joelho, a relação entre obesidade e osteoartrite do quadril é mais moderada, sugerindo que fatores biomecânicos locais — como a morfologia acetabular e a congruência articular — têm papel mais determinante no quadril do que no joelho.

Quando utilizar o código CID-11 FA01
O FA01 deve ser adotado a partir de 2027, com a vigência da CID-11 no Brasil. Até lá, o M16 da CID-10 permanece em vigor. O profissional deve especificar a lateralidade e a forma (primária ou secundária), priorizando as subclassificações FA01.0, FA01.1 ou FA01.2 em detrimento do código genérico FA01.Z.
A identificação da osteoartrite pós-traumática (FA01.2) é especialmente relevante em medicina do trabalho, pois pode fundamentar o reconhecimento de doença ocupacional quando o trauma articular está documentado como acidente de trabalho.
A CID-11 FA01 dá direito a afastamento ou atestado?
A osteoartrite do quadril pode justificar afastamentos temporários em fases de agudização e afastamentos de maior duração nos casos com indicação de artroplastia total do quadril. Após cirurgia de prótese total, o período de afastamento costuma ser de dois a quatro meses, com reabilitação progressiva.
Para trabalhadores com atividades que exigem caminhada prolongada, carregamento de cargas ou posições que sobrecarregam o quadril, a osteoartrite avançada pode justificar restrição permanente de atividade, com implicações para a aptidão ao trabalho habitual.
Importância da CID-11 FA01 na prática clínica
A subclassificação da osteoartrite do quadril por forma e lateralidade na CID-11 favorece o registro clínico mais informativo e a análise epidemiológica mais precisa. Para clínicas de ortopedia e medicina do trabalho, a distinção entre a forma primária e a pós-traumática é especialmente relevante para a instrução de processos de doença ocupacional e para a definição do nexo causal em casos de acidentes de trabalho com lesão articular.
Concluindo
A CID-11 FA01 substitui o M16 da CID-10, consolidando a nomenclatura ‘osteoartrite do quadril’ no lugar de ‘coxartrose’, com subclassificações que diferenciam as formas primária, pós-traumática e displásica. A transição para 2027 exige atualização de nomenclatura e de sistemas de codificação em clínicas ortopédicas, reumatológicas e de medicina do trabalho em todo o Brasil.










