
O que é a CID-11 FA84?
A CID-11 FA84 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para outras doenças da coluna vertebral, correspondente ao M48 da CID-10. O grupo abrange condições vertebrais que não se enquadram nos códigos mais específicos de espondilose (FA82), transtornos discais (FA80) ou dorsalgia (FB84), sendo a estenose do canal vertebral a condição mais clinicamente relevante dentro desse agrupamento.
A estenose vertebral é o estreitamento do canal medular ou dos forames intervertebrais, que pode comprimir a medula espinal ou as raízes nervosas. É uma das causas mais frequentes de dor radicular crônica em adultos acima de 60 anos e representa um dos principais motivos de afastamento trabalhista por condição vertebral de longa duração.
Subcategorias da CID-11 FA84
O FA84 organiza as doenças vertebrais não classificadas em outros locais com as seguintes subclassificações:
FA84.0 — Estenose do canal vertebral: estreitamento do canal medular por hipertrofia de ligamentos, osteófitos ou combinação de alterações degenerativas; pode ser cervical, torácica ou lombar.
FA84.1 — Estenose foraminal: estreitamento dos forames intervertebrais por onde saem as raízes nervosas; causa frequente de radiculopatia crônica.
FA84.2 — Espondilolistese: deslizamento de uma vértebra sobre a adjacente; pode ser degenerativa, ístmica ou traumática, com graus variáveis de instabilidade.
FA84.3 — Fratura por insuficiência da coluna vertebral: fratura vertebral por fragilidade óssea, sem trauma significativo; frequente em idosos com osteoporose.
FA84.Z — Outra doença da coluna vertebral não especificada: usar apenas quando nenhuma subclassificação se aplicar.
Descrição clínica, sinais e sintomas
A estenose do canal lombar — a forma mais prevalente — apresenta quadro clínico característico: dor e fadiga nas pernas ao caminhar, com alívio ao sentar ou inclinar o tronco para frente (claudicação neurogênica); dor lombar crônica de fundo; e, nos casos mais avançados, fraqueza nos membros inferiores e distúrbios esfinterianos. A postura em flexão lombar — como ao pedalar ou empurrar um carrinho — alivia os sintomas porque aumenta o diâmetro do canal.
A estenose cervical pode se manifestar com mielopatia — fraqueza progressiva nos membros, dificuldade de coordenação fina, alterações de marcha — e requer avaliação neurocirúrgica urgente nos casos progressivos. A espondilolistese, quando sintomática, causa lombalgia mecânica com ou sem radiculopatia, dependendo do grau de deslizamento e da compressão radicular associada.

Causas e fatores de risco
A estenose vertebral degenerativa é primariamente uma condição do envelhecimento, resultante da combinação de hipertrofia do ligamento amarelo, osteofitose e protrusão discal que progressivamente reduzem o espaço disponível para as estruturas neurais. Fatores que aceleram o processo incluem: histórico de cirurgia vertebral prévia; doença de Paget; espondilolistese preexistente; e sobrecarga mecânica crônica da coluna.
A espondilolistese ístmica — por fratura da pars interarticularis — é mais frequente em jovens atletas que praticam esportes com hiperextensão repetitiva da coluna, como ginástica olímpica e futebol americano.
Quando utilizar o código CID-11 FA84
O FA84 deve ser adotado a partir de 2027, com a vigência da CID-11 no Brasil. Até lá, o M48 da CID-10 e suas subclassificações permanecem em vigor. O profissional deve utilizar a subclassificação mais específica disponível — FA84.0 para estenose do canal, FA84.2 para espondilolistese — com base nos achados de ressonância magnética ou tomografia computadorizada da coluna.
É importante distinguir FA84.0 (estenose) de FA82 (espondilose): a espondilose é o processo degenerativo em si; a estenose é a consequência anatômica desse processo quando há estreitamento clinicamente significativo do canal ou forames.
A CID-11 FA84 dá direito a afastamento ou atestado?
A estenose vertebral sintomática, especialmente com claudicação neurogênica ou radiculopatia, justifica afastamento médico. Para trabalhadores com atividades que exigem caminhada prolongada, permanência em pé ou levantamento de cargas, a limitação funcional é objetivamente demonstrável.
Nos casos com indicação cirúrgica — descompressão lombar, laminectomia ou artrodese —, o afastamento pós-operatório costuma ser de dois a quatro meses, com reabilitação fisioterapêutica. O laudo deve descrever o grau de estenose (leve, moderada ou grave), o nível acometido e as atividades laborais contraindicadas.
Importância da CID-11 FA84 na prática clínica
A inclusão da espondilolistese (FA84.2) e das fraturas por insuficiência (FA84.3) dentro do FA84 consolida em um único bloco as condições vertebrais estruturais que não se enquadram nos códigos de degeneração discal ou espondilose. Para clínicas de ortopedia, neurocirurgia e medicina do trabalho, o FA84 é um código de monitoramento relevante em populações idosas e em trabalhadores com histórico de cirurgia ou instabilidade vertebral.
Concluindo
A CID-11 FA84 atualiza o M48 da CID-10, agrupando doenças vertebrais estruturais com subclassificações para estenose do canal, foraminal, espondilolistese e fraturas por insuficiência. Com a transição prevista para 2027 no Brasil, ortopedistas, neurocirurgiões e médicos do trabalho devem incorporar o novo código em sua prática para garantir registros mais precisos e suporte adequado a pacientes com essas condições crônicas da coluna.










