
O que é a CID-11 DD80?
A CID-11 DD80 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para apendicite aguda, correspondente ao K35 da CID-10. A apendicite aguda é a inflamação aguda do apêndice vermiforme — uma pequena estrutura tubular localizada na junção do intestino delgado com o grosso, na fossa ilíaca direita —, sendo a emergência cirúrgica abdominal mais comum no mundo.
Apesar de ser uma condição aguda e tratável, a apendicite aguda gera afastamentos significativos no contexto trabalhista: a cirurgia — apendicectomia — seguida do período de recuperação pós-operatória impede o trabalho por um período que varia de uma a quatro semanas, dependendo da via cirúrgica adotada e de eventuais complicações.
Subcategorias da CID-11 DD80
O DD80 organiza a apendicite aguda por grau de evolução e presença de complicações:
DD80.0 — Apendicite aguda sem peritonite: inflamação localizada no apêndice, sem rotura ou contaminação da cavidade abdominal; forma mais frequente e de melhor prognóstico.
DD80.1 — Apendicite aguda com abscesso periapendicular: formação de coleção purulenta localizada ao redor do apêndice, geralmente com rotura contida pelas estruturas vizinhas.
DD80.2 — Apendicite aguda com peritonite generalizada: rotura do apêndice com contaminação difusa da cavidade abdominal; forma mais grave, com maior morbimortalidade e tempo de recuperação prolongado.
DD80.Z — Apendicite aguda não especificada: usar apenas quando não for possível determinar a presença ou ausência de complicações.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O quadro clínico clássico da apendicite aguda evolui em horas: dor periumbilical ou epigástrica de início, que migra progressivamente para a fossa ilíaca direita (ponto de McBurney) nas primeiras 12 a 24 horas; anorexia; náuseas e vômitos; febre baixa a moderada; e defesa muscular à palpação da fossa ilíaca direita.
Nos casos com rotura e peritonite, a dor torna-se difusa, a febre é mais elevada, o abdome fica rígido e o estado geral deteriora-se rapidamente. A apresentação atípica ocorre em crianças, idosos, gestantes e pacientes imunossuprimidos, dificultando o diagnóstico clínico e exigindo maior suporte de exames de imagem — ultrassonografia e tomografia computadorizada do abdome.

Causas e fatores de risco
A apendicite aguda resulta da obstrução do lúmen apendicular, mais frequentemente por fecalito (cálculo fecal), hiperplasia de linfonodos regionais (em crianças, associada a infecções virais) ou, mais raramente, por parasitas ou tumores. A obstrução leva à distensão, isquemia e infecção bacteriana progressiva da parede apendicular.
A apendicite aguda é mais frequente entre a segunda e a quarta décadas de vida, sem predisposição clara por tipo de atividade laboral. Fatores dietéticos — baixo consumo de fibras — têm sido associados a maior incidência em estudos epidemiológicos, mas a relação causal não está definitivamente estabelecida.
Quando utilizar o código CID-11 DD80
O DD80 deve ser adotado a partir de 2027, com a vigência da CID-11 no Brasil. Até lá, o K35 da CID-10 e suas subclassificações permanecem em vigor. O profissional deve especificar a presença ou ausência de complicações — peritonite, abscesso — utilizando as subclassificações DD80.0, DD80.1 ou DD80.2, com base nos achados intraoperatórios e nos exames de imagem pré-operatórios.
A CID-11 DD80 dá direito a afastamento ou atestado?
A apendicite aguda justifica afastamento médico em todos os casos, dado que o tratamento é cirúrgico e o período pós-operatório implica restrição de atividades físicas. Para apendicectomias laparoscópicas sem complicações, o afastamento costuma ser de sete a quatorze dias. Para cirurgias abertas ou com peritonite, o período pode se estender para três a seis semanas.
O laudo deve especificar a via cirúrgica, a presença de complicações e as atividades laborais contraindicadas durante a recuperação — especialmente esforços abdominais, levantamento de peso e movimentos bruscos do tronco.
Importância da CID-11 DD80 na prática clínica
A subclassificação da apendicite aguda por grau de complicação no DD80 é clinicamente relevante porque tem impacto direto no planejamento cirúrgico, na conduta pós-operatória e no tempo de recuperação. Registros mais precisos favorecem o monitoramento de complicações pós-cirúrgicas e a análise de desfechos por tipo de apresentação clínica.
Para clínicas e hospitais, o uso correto do DD80 e suas subclassificações contribui para indicadores de qualidade cirúrgica e para o cumprimento de protocolos de auditoria em saúde.
Concluindo
A CID-11 DD80 atualiza o K35 da CID-10 para a apendicite aguda, com subclassificações que distinguem as formas não complicada, com abscesso e com peritonite. Embora seja uma condição aguda e de resolução geralmente rápida, seu impacto sobre a capacidade laboral no período pós-operatório a torna relevante para médicos assistentes, clínicas cirúrgicas e profissionais que emitem laudos previdenciários.










