
O que é a CID-11 FB71?
A CID-11 FB71 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para sinovite e tenossinovite, correspondente ao M65 da CID-10. Trata-se de condições inflamatórias que afetam, respectivamente, a membrana sinovial das articulações (sinovite) e a bainha sinovial que envolve os tendões (tenossinovite), resultando em dor, edema e limitação de movimento.
Essas condições estão entre as mais prevalentes em contextos de trabalho repetitivo e são parte importante do espectro das lesões por esforço repetitivo (LER) e dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) — siglas que, embora não sejam códigos CID, descrevem a etiologia ocupacional dessas condições. Sua relevância previdenciária está diretamente ligada ao reconhecimento de nexo causal com as atividades laborais.
Subcategorias da CID-11 FB71
O FB71 organiza sinovites e tenossinovites por tipo e localização:
FB71.0 — Tenossinovite de De Quervain: inflamação da bainha dos tendões do abdutor longo e extensor curto do polegar, causando dor na face radial do punho; diagnóstico confirmado pelo teste de Finkelstein.
FB71.1 — Dedo em gatilho (tenossinovite estenosante): espessamento da bainha do tendão flexor dos dedos, com travamento do movimento de extensão; frequente em trabalhadores com preensão repetitiva.
FB71.2 — Sinovite e tenossinovite infecciosa: inflamação causada por agente infeccioso — bacteriana, viral ou fúngica; requer tratamento etiológico específico além do sintomático.
FB71.3 — Tenossinovite radial do punho: inflamação dos tendões extensores no dorso do punho, frequente em movimentos repetitivos de extensão e pronossupinação.
FB71.Z — Sinovite e tenossinovite não especificada: usar apenas quando não for possível identificar o tipo ou localização.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O quadro clínico de sinovites e tenossinovites varia conforme a estrutura acometida, mas os sinais e sintomas gerais incluem: dor localizada sobre o tendão ou articulação afetada, piora com o movimento ativo e à palpação direta; edema fusiforme ao longo da bainha tendinosa; crepitação ao deslizamento do tendão dentro da bainha; limitação de amplitude de movimento ativo; e, no dedo em gatilho, travamento doloroso durante a extensão do dedo, com necessidade de força passiva para desbloqueá-lo.
Na tenossinovite de De Quervain, o teste de Finkelstein — fechamento do punho sobre o polegar com desvio ulnar forçado — reproduz a dor característica e é o principal teste clínico diagnóstico.

Causas e fatores de risco
Sinovites e tenossinovites têm etiologia predominantemente mecânica e relacionada à sobrecarga repetitiva. Os principais fatores de risco incluem: movimentos repetitivos de preensão, torção do punho ou pinça digital — frequentes em linhas de montagem, costureiras, digitadores, cozinheiros e músicos; uso de ferramentas vibratórias; posições forçadas mantidas do punho e dedos; retorno abrupto ao trabalho intenso após período de inatividade; e, nos casos infecciosos, trauma perfurocortante da bainha tendinosa ou disseminação hematogênica de infecção sistêmica.
Quando utilizar o código CID-11 FB71
O FB71 deve ser adotado a partir de 2027, com a vigência da CID-11 no Brasil. Até lá, o M65 da CID-10 e suas subclassificações permanecem em vigor. O profissional deve especificar o tipo de tenossinovite — De Quervain (FB71.0), dedo em gatilho (FB71.1) ou infecciosa (FB71.2) — sempre que houver diagnóstico clínico definido.
Em contextos de medicina do trabalho, a documentação do nexo causal com as atividades laborais é essencial: o laudo deve descrever as tarefas realizadas pelo trabalhador, a frequência dos movimentos de risco e o tempo de exposição antes do surgimento dos sintomas.
A CID-11 FB71 dá direito a afastamento ou atestado?
As tenossinovites são causa frequente de atestados de curta a média duração e, quando relacionadas ao trabalho, podem fundamentar o reconhecimento como doença ocupacional com emissão de CAT. O afastamento é indicado para interromper a exposição ao fator de risco e permitir o tratamento — repouso relativo, fisioterapia, imobilização e infiltração corticosteroide nos casos mais intensos.
Para casos cirúrgicos — tenossinovite de De Quervain ou dedo em gatilho refratários ao tratamento conservador —, o afastamento pós-operatório costuma ser de duas a quatro semanas, com reabilitação fisioterapêutica subsequente. O laudo deve especificar as atividades contraindicadas durante a recuperação.
Importância da CID-11 FB71 na prática clínica
As tenossinovites ocupacionais são um dos grupos diagnósticos mais relevantes no contexto de LER/DORT no Brasil. A correta codificação pelo FB71 e suas subclassificações favorece o mapeamento epidemiológico dessas condições por setor de atividade econômica, subsidiando políticas de prevenção de acidentes e doenças do trabalho. Para clínicas de ortopedia e medicina do trabalho, o FB71 é um código de monitoramento estratégico em programas de saúde ocupacional.
Concluindo
A CID-11 FB71 atualiza o M65 da CID-10 para sinovites e tenossinovites, com subclassificações que distinguem as formas mais prevalentes na prática clínica — De Quervain, dedo em gatilho e infecciosa. Com a transição prevista para 2027 no Brasil, ortopedistas, médicos do trabalho e profissionais de reabilitação devem incorporar a nova codificação em sua prática, garantindo registros mais precisos e maior suporte aos trabalhadores afetados por condições relacionadas ao esforço repetitivo.









