
O que é a CID-11 8A80?
A CID-11 8A80 é o código da 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças para enxaqueca, correspondente ao G43 da CID-10. A enxaqueca — também chamada de migrânea — é um transtorno neurológico crônico caracterizado por episódios recorrentes de cefaleia geralmente unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos e fotofobia ou fonofobia.
Na CID-11, a enxaqueca foi transferida para o Capítulo 8 — Doenças do sistema nervoso — reforçando seu reconhecimento como transtorno neurológico primário, e não apenas como ‘dor de cabeça’. Essa mudança de posicionamento reflete décadas de avanço no entendimento da neurobiologia da migrânea e tem impacto direto na forma como o diagnóstico é percebido por médicos, pacientes e sistemas previdenciários.
Subcategorias da CID-11 8A80
O 8A80 organiza a enxaqueca pelas suas principais formas clínicas:
8A80.0 — Enxaqueca sem aura: a forma mais comum, com episódios de cefaleia pulsátil unilateral sem sintomas neurológicos focais precedentes.
8A80.1 — Enxaqueca com aura: presença de sintomas neurológicos transitórios e reversíveis antes ou durante a cefaleia — mais frequentemente visuais (escotomas cintilantes, visão turva), mas também sensitivos ou de linguagem.
8A80.2 — Enxaqueca crônica: quinze ou mais dias de cefaleia por mês, durante pelo menos três meses, com características de migrânea em pelo menos oito desses dias. Associada ao uso excessivo de analgésicos em muitos casos.
8A80.3 — Migrânea hemiplégica: forma rara com aura motora (hemiparesia transitória); pode ser familiar ou esporádica.
8A80.Z — Enxaqueca não especificada: usar apenas quando não for possível classificar a forma clínica.
Descrição clínica, sinais e sintomas
O ataque de enxaqueca típico tem quatro fases: pródromo (horas a dias antes, com alterações de humor, bocejos e rigidez cervical); aura (quando presente, com sintomas neurológicos de 20 a 60 minutos); cefaleia (dor unilateral pulsátil, de moderada a grave intensidade, com duração de 4 a 72 horas sem tratamento, piorada por atividade física rotineira); e pós-dromo (fadiga, dificuldade de concentração e sensibilidade residual por horas após a crise).
A fotofobia, a fonofobia e as náuseas são sintomas associados tão característicos que fazem parte dos critérios diagnósticos da International Headache Society (IHS), utilizados mundialmente e compatíveis com a CID-11.
Causas e fatores de risco
A enxaqueca tem forte componente genético — familiares de primeiro grau de pacientes com enxaqueca têm risco duas a três vezes maior de desenvolver a condição. Entre os fatores desencadeantes de crises estão: privação ou excesso de sono; estresse emocional e sua resolução; variações hormonais (ciclo menstrual, uso de anticoncepcionais); alimentos e bebidas (vinho tinto, cafeína, glutamato monossódico); estímulos sensoriais intensos (luz forte, odores); e mudanças barométricas.
No ambiente de trabalho, turnos irregulares, privação de sono, alta pressão e exposição a telas e iluminação artificial intensa são fatores associados à maior frequência de crises.

Quando utilizar o código CID-11 8A80
O 8A80 deve ser adotado a partir de 2027, com a vigência da CID-11 no Brasil. Até lá, o G43 da CID-10 e suas subclassificações permanecem em vigor. O profissional deve classificar a enxaqueca pela forma clínica predominante — sem aura (8A80.0), com aura (8A80.1) ou crônica (8A80.2) — em vez de usar o código genérico 8A80.Z.
Para pacientes com enxaqueca crônica (8A80.2), é importante avaliar e registrar o uso de medicamentos, pois a cefaleia por uso excessivo de analgésicos tem código próprio na CID-11 (8A84) e pode coexistir ou complicar o quadro.
A CID-11 8A80 dá direito a afastamento ou atestado?
A enxaqueca é uma das causas mais frequentes de absenteísmo no ambiente de trabalho. Crises de alta intensidade, com duração de horas a dias e acompanhadas de vômitos e fotofobia, inviabilizam qualquer atividade laboral durante o episódio. Para fins de atestado, a crise aguda justifica afastamento de um a três dias.
Nos casos de enxaqueca crônica com alta frequência de crises e refratariedade ao tratamento, o padrão de afastamentos recorrentes pode justificar benefício por incapacidade temporária. O laudo deve documentar a frequência das crises, os tratamentos utilizados (profilático e abortivo) e o grau de comprometimento funcional — idealmente com diário de cefaleia como documento de suporte.
Importância da CID-11 8A80 na prática clínica
O reconhecimento da enxaqueca como transtorno neurológico no Capítulo 8 da CID-11 tem impacto simbólico e prático: reforça a legitimidade do diagnóstico, reduz o estigma associado à ‘dor de cabeça’ e facilita o acesso a tratamentos especializados. Para clínicas neurológicas e de medicina do trabalho, o 8A80 e suas subclassificações permitem o monitoramento preciso da progressão da doença e da resposta às terapias profiláticas.
Concluindo
A CID-11 8A80 atualiza o G43 da CID-10 para a enxaqueca, agora classificada no capítulo de doenças neurológicas com subclassificações que distinguem as formas sem aura, com aura e crônica. Com a transição para 2027, neurologistas, clínicos gerais e médicos do trabalho devem adotar a nova codificação, garantindo registros mais precisos e reconhecimento adequado do impacto da enxaqueca na capacidade laboral.










