
Mais de 60% dos brasileiros adultos estão acima do peso. De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, 62,6% das pessoas com mais de 18 anos no país apresentam excesso de peso, categoria que reúne sobrepeso (pré-obesidade) e obesidade.
O mesmo levantamento aponta que 25,7% da população adulta vive com obesidade. Considerada uma doença crônica, a obesidade exige tratamento multidisciplinar e tem efeitos que vão além da balança, inclusive sobre a circulação.
Obesidade no Brasil: o que mostra o Vigitel
Os dados colocam a obesidade entre os principais desafios de saúde da população adulta. O levantamento separa duas faixas: o excesso de peso, que atinge 62,6% dos adultos, e a obesidade propriamente dita, presente em 25,7%.
Projeções do Atlas Mundial da Obesidade, chanceladas pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), indicam que a doença pode atingir 31% dos adultos e afetar a maioria da população até 2030.
Segundo o texto, quando o acúmulo de gordura atinge níveis elevados, o cuidado ultrapassa a esfera estética e exige atenção médica especializada.

Obesidade e circulação: como o excesso de gordura afeta as veias
Além das alterações metabólicas e do risco de quadros como diabetes e hipertensão, a sobrecarga corporal afeta o sistema circulatório, segundo o material. O excesso de tecido adiposo na região abdominal exerce pressão mecânica contínua sobre as veias pélvicas e a veia cava inferior, o que dificulta o retorno do sangue dos membros inferiores ao tronco.
Esse cenário favorece o aparecimento de condições específicas:
- Insuficiência venosa crônica e varizes: a circulação lenta e o aumento da pressão no interior dos vasos podem causar a dilatação permanente das veias, com varizes, dores e edemas.
- Trombose venosa profunda (TVP): a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) aponta o excesso de peso como fator primário para coágulos nas veias profundas.
- Lipedema e lipolinfedema: a Associação Brasileira de Lipedema (ABL) alerta que a obesidade sobrecarrega os vasos linfáticos e pode evoluir para essas condições.
Obesidade: tratamento multidisciplinar e terapia de compressão
O tratamento da obesidade e de suas repercussões vasculares exige uma abordagem multidisciplinar, que reúne reeducação alimentar, acompanhamento médico e atividade física. Nesse conjunto, a terapia de compressão graduada é apontada como aliada no alívio dos sintomas que afetam a circulação, atuando de forma complementar às demais condutas.
Sintomas como dor, cansaço, sensação de peso, edemas e varizes nas pernas não devem ser ignorados, pois podem indicar que o sistema circulatório está sendo afetado.
Reconhecer esses sinais cedo pode levar o paciente ao consultório antes que o quadro avance, o que tende a facilitar o acompanhamento ao longo do tempo.
Obesidade: o que clínicas e consultórios podem observar
Os números reforçam que a obesidade é um tema transversal na rotina de clínicas e consultórios de diferentes especialidades. Como o cuidado é multidisciplinar, o acompanhamento costuma envolver mais de um profissional, e a organização da agenda, do prontuário e do retorno dos pacientes ajuda a sustentar esse cuidado ao longo do tempo. Nenhuma das condutas citadas substitui a avaliação individual feita por um médico, que define o melhor caminho para cada paciente.
Com mais de seis em cada dez adultos acima do peso, a obesidade segue entre os temas que mais exigem atenção do sistema de saúde, e o diagnóstico e o acompanhamento contínuo continuam sendo parte central desse enfrentamento.









